“Mais é mais e menos é aborrecido”, são estas as palavras que ela utiliza na sua 'bio' de Instagram, e que descrevem na perfeição a sua vida real. A Iris Apfel só se pode chamar para cima de irreverente. “Ave rara” foi o nome que o Museu Metropolitano de Arte, em Nova Iorque, deu à exposição dedicada à designer, para celebrar alguns dos seus looks, quando esta tinha 84 anos de idade, em 2005. A partir daqui abriram-se as portas do mundo da Moda e da Beleza, que a própria já havia destrancado. Mas a história não começa aqui.

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O mundo ficou mais rico quando viu nascer Iris Apfel, a 29 de Agosto de 1921. Trabalhou no jornal de moda Women’s Wear Daily, que viria mais tarde a entrevistá-la. Mas foi como designer de interiores e designer têxtil que fixou raízes até à reforma.

Em 1950, aos 29 anos, chegou a fundar, juntamente com o marido, Carl Apfel, uma empresa têxtil, a Old World Weavers, que lhes deu passaporte para viajar à volta do globo em busca de tecidos e, sobretudo, de inspiração: “Acumulei tecidos maravilhosos e antigos de todo o mundo – não os têxteis comuns e corriqueiros – e recriámo-los com uma qualidade requintada”, disse em entrevista à revista britânica 'Dazed'. Requintada ao ponto de ser usada por um público exigente, como Estée Lauder, Jacqueline Onassis ou Greta Garbo.

O seu nome viajou, assim, para altas figuras. E apesar do rodopio de presidentes que iam aquecendo ‘o trono’ da Casa Branca, foi durante vários mandatos Iris, ou “a primeira dama dos tecidos”, como ficou conhecida, a escolhida para fazer a decoração.

Iris Apfel viveu, e vive, para se agradar a si, e pelo meio vai agradando a outros que a vêem como um ícone de estilo. Mas, apesar da extravagância, ensinou-nos que o estilo não se mede pela quantidade de dinheiro que se gasta em roupa. É, por isso, a primeira a ignorar a etiqueta que tanto pode dizer “Prada”, como ter escrito o nome de outra marca qualquer vendida numa feira artesanal: vai juntar o caro e o barato, num look original e elogiado. Mas, se não for merecedor de aplausos, também não vai querer saber, porque "é melhor não ter estilo [aos olhos dos outros], mas ser feliz [ao usar o que se gosta]". Segundo Roberta Smith, crítica de arte do jornal 'New York Times', “antes que o multiculturalismo existisse, a Sra. Apfel já o usava”.

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Não precisava de empurrões para que as pessoas reparassem em si mas, já depois dos 80, insistiram para que, tal como se tinha inspirado pelo mundo fora, deixasse o mundo inspirar-se em si. Após o sucesso da exposição de acessórios e moda no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque, que atraiu milhares de pessoas, choveram capas de revistas (como a 'Vogue' italiana, a 'Dazed', a 'S Moda', a 'Elle', etc.) e propostas de parcerias que não cabem todas neste artigo: a MAC, por exemplo, criou uma linha de cosméticos com a sua assinatura; fez campanhas publicitárias, uma delas ao lado de Karlie Kloss, outra recente para a Magnum; foi criada uma Barbie com a sua imagem e realizado um documentário pelo cineasta Albert Maysles, em 2014, disponível na Netflix, para retratar a sua vida.

Iris Apfel lançou a sua própria coleção "Rara Avis Collection" para a HSN, que conta com linhas de jóias, bolsas, sapatos, entre outras, e que vão saindo até hoje. Aos 94 anos, já havia desenvolvido, juntamente com a Wisewear, uma linha de jóias tecnológicas.

Com 97 anos, assinou com uma das agências de modelos mais conhecida do mundo, a IMG, onde Bella Hadid, Gisele Bündchen, Hailey Bieber, Kate Moss, Miranda Kerr, entre muitas outras, tiveram de abrir espaço para a veterana. Em tempos de pandemia, não deixou de colorir a vida, literalmente, e lançou nas bancas um livro para pintar com frases soltas motivacionais e auto-biográfico: "Iris: The Coloring Book". Outra coisa que Iris Apfel nos ensinou? Cada um impõe as suas limitações e a idade não define habilidade.

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Tornou-se acidentalmente num ícone e usou-o para dar nome ao seu livro “Icon by accident”, em 2018. Iris só era aquilo que sempre foi: pouco convencional e espontânea, em todo o conjunto. Não só nas roupas que usa, como nos acessórios que combina, mas também na maquilhagem que ousa usar até hoje: colorida. E provou, ainda, que batom vermelho faz match com qualquer peça. “O meu marido e eu rimo-nos disso o tempo todo, porque não estou a fazer nada diferente do que fazia há 70 anos e, de repente, sou tão cool. É divertido, mas não me subiu à cabeça”, partilhou em confissões à 'Dazed', em 2012.

Em entrevista à 'Newsweek', afirmou ainda que nunca teve propriamente uma relação com o mundo da Moda, para que alguma coisa tenha mudado ao longo dos anos. Sempre foi o seu próprio estilo a falar mais alto e por aqui tiravam-se (e tiram-se) notas, especialmente pela forma de olhar para a vida.

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