No outro dia usei maquilhagem pela primeira vez. Não pela primeira vez da minha vida, mas foi o que me pareceu. Dois meses de rosto lavado diariamente e já praticamente me esquecia da ordem dos produtos. Costumava usar primeiro a base ou o corretor? Este blush não será too much? As minhas sobrancelhas precisam mesmo deste lápis? E depois olhei para uma paleta de sombras e não resisti a divertir-me entre pincéis, degradé de tons e uns olhos muito maiores do que me lembravam os encontros diários com o espelho.

Se há algo positivo a retirar de tudo o que está a acontecer é que me habituei a apreciar o meu rosto ao natural. Habituei é a palavra certa: tal como durante anos me habituei a vê-lo maquilhado – e os dias em que passava sem maquilhagem me pareciam simplesmente estranhos – agora existem coisas que comecei a apreciar na simplicidade. Sempre fui apologista de que a maquilhagem deveria funcionar mais como cúmplice de diversão do que como tapa-inseguranças, e agora que os debates sobre o futuro da maquilhagem no pós-pandemia começam a surgir, será que chegámos à conclusão de que a makeup é dispensável ou dar-lhe-emos novas utilizações menos associadas a bodyshaming?

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No outro dia li uma entrevista em que a expert brasileira Vic Ceridono falava sobre o futuro da Beleza pós-pandemia, e em particular da maquilhagem. Ela dizia que iria ser oito ou oitenta, e que ao mesmo tempo que “as pessoas estão se redescobrindo no natural, com menos maquilhagem”, por outro lado assiste-se a muita experimentação, “muita cor, muito brilho, muita ousadia, e quando puder sair de novo acho que vai rolar uma super liberdade de expressão sem medo de ser feliz”.

Na verdade, estes dois pólos aparentemente opostos sempre funcionaram como o epicentro daquilo que deveria ser a nossa relação com a maquilhagem: o amor próprio não deveria depender de um corretor de olheiras, mas antes ser exponenciado por ele. O nosso rosto desmaquilhado, com todas as supostas imperfeições que nos foram incutidas ao longo da nossa existência, deveria ser tão amado e apreciado quanto um full look de pérolas e adereços ao estilo Euphoria.

Se estarmos em casa tornou a nossa relação connosco mesmo melhor? Isso é tema para todo um outro artigo – e algo extremamente variável e pessoal. Se a pandemia já tornou tudo diferente? Bom, pelo menos uma selfie sem maquilhagem já postei.

Do jornalismo à comunicação, é na escrita que Patrícia Domingues espelha a sua natureza curiosa e bem-humorada. Na Miranda, a libriana partiha instantes de um eterno namoro pela Beleza, bem-estar e cosmética.

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