O verde, o orgânico, o sustentável, o ecológico, são tudo conceitos que hoje se proliferam em hashtags por um motivo: estamos cada vez mais conscientes. Mas muito antes de a preocupação ambiental se tornar viral, Ana Fernandes, dona do novíssimo Fhair, teve direito ao seu Aha moment.

Fhair
Ana Fernandes, a proprietária.

"A ideia surgiu há sete anos atrás, quando estava grávida. Eu tinha que pintar o cabelo, pinto o cabelo desde os 12 anos, e fiquei a pensar na quantidade de químicos, porque eu já metia a mão nos champôs, nos condicionadores, nas lacas o dia inteiro... E era muito químico para o bebé. Se calhar se fosse só cliente isso não tinha surgido porque és cliente, fazes uma vez e vais embora, agora a minha vida é no meio dos químicos...", explica à Miranda, sentada no seu recém-inaugurado salão, na Rua da Moeda, em Lisboa.

Coloração eco, atitude verde. Wow!
Coloração eco, atitude verde. Wow!
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No final, venceu a preocupação. "Comecei a ficar um bocado aflita com a situação e acabei por não pintar", confessa, admitindo que a ideia de abrir um salão orgânico nunca mais lhe saiu da cabeça: "Isto foi andando e andando até que há três anos eu pensei 'eu faço assim a minha vida pessoal, não faz sentido eu não fazer a minha vida profissional'.Procurei soluções, encontrei, testei e pronto".

Testes e mais testes

Três anos de testes, para cá e para lá - sempre mais para lá, fora de Portugal, onde a oferta é maior: "Senti [muitas dificuldades no mercado]. Bastante. Tive de investigar muito, muito, e depois viajar. Para ir lá, conhecer os donos, os diretores das marcas, os representantes, tudo. Porque o meu trabalho é muito visível, eu tinha de testar".

Fhair
Os produtos da marca italina Davines passaram no teste de Ana Fernandes e são utilizados no Fhair.

Dificuldades de outros tempos, em que a palavra orgânico ainda não estava absolutamete gravada no dicionário da Beleza. "Quando eu comecei há três anos atrás, além do Celeiro [loja] não tinhamos grandes soluções, havia uma única marca em Portugal. Portanto comecei a googlar, a procurar, a pesquisar nos sites, em todo o lado", conta, notando desde logo uma tendência. "Andei muito nos sites nórdicos porque eles estão muito avançados neste aspeto. Viajei muito para lá para perceber o que é que havia, ficar com contactos, tirar o nome da marca, falar com a fábrica, pedir produto, fazer os pagamentos para outro país é todo um filme, chegar as encomendas e testar", relata, admitindo a diferença para os dias de hoje: "A diferença que eu vejo de há três anos para cá é que agora já temos algumas marcas em Portugal, na altura tinhamos uma marca, era surreal."

Após muitas experiências, foram os produtos da Davines que acabaram por vencer, e hoje a marca italiana é parceira de arranque do salão, graças às suas políticas de beleza sustentável.

Manicure Green

A filosofia consciente e ecológica no Fhair não se cinge aos serviços de cabeleireiro. É possível também usufruir de manicure respeitando a ética ecológica que o espaço preconiza, já que os vernizes usados são da marca Kure Bazaar, com uma fórmula de 85% de ingredientes naturais e não testada em animais.

A importância da qualidade

Ainda que a filosofia do Fhair seja imponente - as flores na parede que nos recebem à entrada são convidativas ao mood que o espaço procura transmitir -, a qualidade continua a ser o foco de Ana Fernandes, que trabalhou durante anos no Griffe Hairstyle. "A minha maior importância era a qualidade do trabalho, manter o nível e uma boa qualidade de trabalho, com produtos que fazem um bocadinho menos mal, tanto às pessoas como ao planeta. Mas com qualidade!", frisa repetidamente.

"Nós aqui temos uma preocupação não só com o meio ambiente como é obvio, mas com as pessoas, os clientes, e a equipa. Nós tentamos, daí a palavra do nosso salão ser 'Fhair', aquela brincadeira do justo, mas nós tentamos mesmo ser o mais justos possível, tanto com a cliente como connosco como com o planeta. Tentar ter o melhor trabalho e a melhor qualidade possível sem comprometer os nossos chavões e sermos justos", assume.

fhair
A peça de Mário Belém que embeleza uma das paredes do espaço.

"A peça do Mário de Belém é algo que me diz muito. Foi uma oferta, não foi dele, atenção! (risos) Eu vi a peça dele na exposição e adorei. E eu estava com a minha amiga que comprou a peça, que também é amiga do Mário. E quando acontece isto [a abertura do salão] e vamos embora para a frente e vamos, e a explicar a filosofia... A peça diz... 'cortar o mal pela raíz'. O que é perfeito para o que nós estamos a tentar fazer. Portanto eu acho que é a minha parte preferida daqui, por isso é que ela está ao pé de mim", justifica.

Fhair
O Fhair fica no nº12 da Rua da Moeda, no Cais do Sodré, em Lisboa.

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