Desde aquele episódio dos meus olhos que passei a olhar de maneira diferente para mim e para todos aqueles com quem me cruzo diariamente. É como se me tivesse sido dado um acesso diferenciado ao universo das rugas e todos quanto observo exibem-nas obscenamente: Rugas no contorno dos olhos, rugas na testa, rugas à volta da boca...
Inevitavelmente, comparo-me na idade e nas rugas, na esperança de me achar em melhores condições, mas não deixa de me perseguir a ideia de que tenho ali o meu futuro espelhado e de que inevitavelmente aquelas rugas serão as minhas também.

Esse fatídico episódio aconteceu na flor dos meus 35 anos, na mesma idade em que me apercebi que as minhas reservas de colagénio se esgotaram por completo e secaram.

Aquilo que tinha protelado para uma idade longínqua e incerta, através de hábitos de vida saudáveis, começou agora a manifestar-se. Essa idade chegou e qualquer coisa que eu faça agora é uma luta inglória contra o tempo. Mas, então, e se eu não fiz tudo o que tinha ao meu alcance?

Optei pela dieta certa, dormi as horas que precisava e treinei o corpo como deveria, mas nunca me refugiei em produtos cosméticos, nem em tratamentos estéticos nem em cirurgias plásticas. Efectivamente, estas últimas estão fora de questão. Já ultrapassei as inseguranças das minhas orelhas de Dumbo e esticar a pele acho um método tão artificial e antiquado...

O peeling químico ainda vá que não vá. A nova pele da Lili Caneças convenceu-me a valer. É mais ou menos o que aconteceu à Sónia Brazão, só que sem ser feito em casa e com consequências menos desastrosas. Consiste em criar uma nova camada de pele, eliminando a que está mais à superfície, queimando-a quimicamente, et voila! Ficamos com a pele de um bebé, novinha em folha, fresca e macia.

#ÁguaPelaBarba: comer é o meu melhor creme de beleza
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Quanto aos outros dois refúgios, mal os explorei. E tendo acabado de completar 36 anos, há resoluções de beleza a pôr em prática. É tempo de navegar esses mares nunca antes navegados e fazer-me rejuvenescer pelo menos 6 anos: vou encontrar o creme de contorno de olhos perfeito, o creme de noite ideal, o anti-rugas imprescindível e o creme de dia para todos os dias. Vou ter mais cabelo, mais forte e luminoso, vou injectar vitaminas, vou experimentar radiofrequência e todos esses métodos não invasivos criados para nos ajudarem a ter uma pele natural e saudável.

E botox? E ácido hialurónico? De que maneira é que os poderei usar sem ficar artificial? Chegarei mesmo a experimentá-los? E maquilhagem? Como é que me deverei maquilhar para continuar com um aspecto viril e com uma pele uniforme ao mesmo tempo? Recuperados estes 6 anos, venha o que vier, estarei imbatível. Apesar de apreciar a ideia de vir a ser um homem maduro e grisalho, quero viver uma última vez os meus anos áureos. Será como uma despedida. Depois, cá estarei de braços abertos para a nova idade que virá. Mas até lá, quero sentir-me no auge da minha (aparente) jovialidade.

Bruno Reis, colaborador da Miranda, é o fundador e director criativo da Teeorema, marca de luxo de t-shirts.

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