Os cosméticos não tratam doenças mas, no que respeita aos protetores solares, eles podem mesmo salvar vidas. São essenciais na nossa rotina diária e, com a aproximação do verão, tornam-se ainda mais um hot topic. O motivo pelo qual preferimos acreditar nas opiniões negativas acerca destes produtos, em vez de nos focarmos nas evidências científicas, é incompreensível, mas contra factos não há argumentos: o protetor solar é necessário e recomenda-se.

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Entre os muitos aspetos polémicos relacionados com os protetores solares está a sustentabilidade, uma necessidade atual para a qual quase todas as marcas têm trabalhado e contribuído com o seu melhor conhecimento. A sustentabilidade engloba várias dimensões: económica, social e ambiental, e é aqui que surge a questão: os protetores solares fazem mal aos corais?

Comecemos com o básico: o que são os corais?

Os corais são animais que segregam um exosqueleto calcário ou de matéria orgânica. Podem constituir colónias coloridas e formar recifes de grandes dimensões, que albergam um ecossistema com uma grande biodiversidade. Os recifes de coral servem como refúgio e reserva alimentar para os seus muitos habitantes: desde as mais pequenas algas até inúmeros peixes e invertebrados, mas também tartarugas marinhas e tubarões. Curiosidade: a Grande Barreira de Coral, na costa de Queensland, na Austrália, é considerada o maior organismo vivo do planeta.

Por que é que os corais são importantes?

Verdadeiros oásis de vida, os recifes de coral cobrem apenas 0.2% dos oceanos, mas abrigam 30% da biodiversidade marinha. Os seus ecossistemas fornecem sustento direto para 500 milhões de pessoas em todo o mundo, por meio da pesca, e os recifes protegem o litoral contra ondas e tsunamis de forma mais eficaz do que qualquer estrutura feita pelo homem. São ainda uma importante atração turística e geram uma parte significativa das receitas das regiões tropicais onde são encontrados: Austrália, Indonésia, Filipinas, mais de uma centena de países beneficia desse turismo. Por último, os recifes oferecem perspetivas médicas promissoras no estudo do envelhecimento celular ou no fornecimento de novas moléculas para a saúde humana ou animal.

O que é o branqueamento dos corais?

Os corais vivem em simbiose com algumas algas. As algas são importantes para os corais porque absorvem a luz solar e realizam a fotossíntese para criar nutrientes que os alimentam. As algas são também responsáveis por 90% da energia dos corais e ainda pelas suas belíssimas cores.

Na presença de fatores de stress, os corais expelem as algas, o que os deixa apenas com a sua cor original, o branco, e sem a sua principal fonte de alimento. O branqueamento é, por vezes, reversível. E se o stress for apenas temporário, as algas podem voltar ao coral. Mas se o stress for prolongado ou muito severo, o branqueamento continua e o coral acabará por morrer à fome.

O que causa o branqueamento dos corais?

São vários os fatores que levam ao branqueamento dos corais: bactérias ou vírus, poluentes, mas, principalmente, o aumento da temperatura da água do mar decorrente das alterações climáticas. Daqui resulta também outro fator importante: a acidificação dos oceanos (pela acumulação de CO2). Junta-se ainda a pesca insustentável, as atividades recreativas e a poluição terrestre de uma forma geral (herbicidas, fertilizantes, lixo…). Devido a todos estes fatores, os cientistas preveem que todos os recifes de corais serão considerados ameaçados até 2050.

Mas o que é que o protetor solar faz aos corais?

Preocuparmo-nos com o uso de protetores solares em relação aos corais é o mesmo que estarmos preocupados a organizar as cadeiras no Titanic com o navio a afundar-se. O protetor solar não pode, à data de hoje, ser considerado uma ameaça, e o facto de falarmos tanto neste falso problema dispersa a nossa atenção do que realmente interessa. Sendo certo que cada pequeno esforço conta, há de longe muitas outras prioridades, e dissipar o foco do que realmente importa não trará bons resultados.

Alguns filtros usados nos protetores revelaram, em alguns estudos muito pouco robustos, poder causar alterações. Foram os filtros oxibenzona e octinoxato, principalmente, mas também o óxido de zinco.

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Importa reforçar que tanto os filtros químicos como os físicos são seguros para a nossa saúde e para o planeta. Curiosamente, hoje sabe-se que um dos filtros menos sustentáveis, o óxido de zinco, é percecionado pelos consumidores como uma boa opção. Como não existe legislação que regule a alegação “Reef safeou “Biodegradável”, a minha sugestão será sempre: não valorizem estas alegações nas vossas escolhas, a não ser que vão mesmo nadar numa baía de corais.

O que podemos fazer em relação aos protetores solares?

No dia a dia, usar o que quisermos. O melhor protetor solar para nós é aquele que gostarmos mais, seja químico ou físico, porque será aquele que vamos usar na dose certa e evitar assim os problemas associados à exposição solar.

Se formos visitar zonas com corais, escolher protetores solares adaptados, sem os filtros mais controversos; aqueles que, normalmente, o turismo local recomenda. Depois, aplicar o protetor pelo menos 20 minutos antes de entrar na água, para que se fixe o melhor possível na nossa pele. Optar por roupa fotoprotetora e privilegiar as sombras, para complementar a ação fotoprotetora.

Em relação à fotoproteção, não há dúvidas: os benefícios do uso de protetor solar (minimizar os danos à pele causados pelos raios solares) a curto e longo prazo são inequívocos.

Se quisermos ter uma verdadeira ação protetora dos corais, lutemos contra as alterações climáticas e mudemos no nosso dia-a-dia o que realmente impacta: consumir menos bens, andar mais a pé ou de bicicleta, comer menos carne, por exemplo.

Farmacêutica de formação e especialista em Cosmética, Joana Nobre trabalha na Indústria Farmacêutica desde 2005. O rigor é a sua imagem de marca, algo bem patente nesta nova rubrica que criou para a Miranda, que incluirá sempre a versão áudio do texto.

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