As barreiras relacionadas com a orientação sexual e / ou identidade ou expressão de género existem, são reais e, mesmo nos dias de hoje, provocam sofrimento, muitas vezes silencioso. Mas vamos falar de coisas sérias?

Apesar de todos os avanços, género e minorias sexuais continuam a ser desproporcionalmente afetadas por um conjunto de problemas de saúde física e mental e sem o devido suporte.

Estudos mostram que as pessoas LGBT evitam ou atrasam cuidados de saúde, ou recebem cuidados inadequados ou inferiores, por causa de homofobia ou transfobia - percebida ou real - e de discriminação por parte dos prestadores e instituições de saúde.

Por outras palavras, muitas pessoas LGBT, quando procuram cuidados de saúde, passam por uma experiência pessoal negativa ou sofrem com a expectativa de uma experiência negativa com base em experiências passadas de discriminação.

#Os problemas reais

Os estigmas para com as pessoas LGBT, dado não se enquadrarem estritamente no modelo binário masculino/feminino comum e estereotipado, criam muitas vezes interações frágeis entre as pessoas LGBT, as instituições e os profissionais de saúde.

Pesquisas sugerem que indivíduos LGBT enfrentam disparidades na saúde ligadas ao estigma social, discriminação e negação dos seus direitos civis e humanos. A discriminação contra pessoas LGBT tem sido associada a altas taxas de transtornos psiquiátricos, abuso de substâncias e suicídio, bem como experiências de violência e vitimização.

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Mas temos dois lados da realidade. Por um lado, temos pessoas que se inibem de exprimir abertamente a sua orientação sexual, identidade, expressão de género ou características sexuais; e por outro, temos profissionais que evitam abordar de forma pró-ativa muitas questões que necessitam de um apoio orientado. Sabemos que a aceitação pessoal, familiar e social da orientação sexual e identidade de género afetam a saúde mental e a qualidade de vida das pessoas LGBT, pelo que temos que mudar a forma como se pratica uma medicina inclusiva e personalizada. Mas ainda há muito trabalho pela frente.

#Por que a saúde LGBT é importante?

Muitos problemas de saúde estão relacionados principalmente com o estigma e discriminação sofridos nas suas vidas pelas pessoas LGBT - inclusive na escola ou no trabalho, em locais públicos ou em estabelecimentos de saúde. Ser membro de um grupo que sofre discriminação pode causar altos níveis de stress (às vezes chamado "stress de minoria"), o que pode levar a comportamentos de maior risco. Mas devemos entender as reais necessidades de saúde destas pessoas.

#As diferentes fases de vida

O segundo foco é entender as necessidades de saúde de cada etapa da vida das pessoas LGBT.

  • Jovem LGBT
  • Adulto
  • LGBT Aging & Senior.

Dou-vos a conhecer os problemas mais comuns:

  • Os jovens LGBT têm uma probabilidade duas a três vezes maior de tentar o suicídio e de se tornarem sem-abrigo.
  • Os jovens LGBT também correm maior risco de infeção pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).
  • São também mais propensos a sofrer bullying.
  • É mais provável que adiem os cuidados médicos regulares necessários, devido a más experiências anteriores.
  • As pessoas LGBT têm menos probabilidade de obter serviços médicos preventivos contra o cancro, por muitas delas evitarem sofrer a referida discriminação.
  • Os indivíduos LGBT têm maior probabilidade de depender de álcool, tabaco ou drogas.
  • Homens gays e pacientes trans apresentam maior risco de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV.
  • As mulheres lésbicas são mais propensas a estar acima do peso e são menos propensas a fazer exames regulares de rastreio de cancros.
  • É mais provável que os jovens sofram problemas significativos de saúde mental, tenham um risco maior de suicídio, se envolvam em comportamentos de risco e se tornem vítimas de violência.
  • Pessoas LGBT apresentam taxas mais altas de problemas de saúde comportamental.
  • Pacientes idosos LGBT correm risco de receber apoio social insuficiente devido à estigmatização e à discriminação.
  • Indivíduos LGBT mais idosos enfrentam barreiras adicionais aos cuidados de saúde, devido a isolamento, menor apoio familiar e menor disponibilidade de serviços sociais.

Tendo em conta estas necessidades, é, sim, possível desenvolver consultas de saúde e apoio, onde podemos criar ambientes de saúde acolhedores e ajudar a minimizar as disparidades existentes enfrentadas por estes grupos.

Links importantes:
ILGA Portugal
DGS - Direção-Geral de Saúde
GLMA (Gay and Lesbian Medical Association)
Healthy People 2020 Topics & Objectives: LGBT Health
• American Medical Student Association (AMSA) Gender and Sexuality Committee
• Centers for Disease Control and Prevention (CDC) LGBT Health Homepage

#Os problemas de saúde mais comuns no #Anti-Aging LGBT

Os indivíduos LGBT mais idosos enfrentam desafios únicos à medida que envelhecem, e a sociedade tem que estar preparada. Relatórios estimam que existem cerca de três milhões de adultos LGBT acima dos 50 anos, e esse número deve crescer para cerca de sete milhões em 2030.

Vamos aos factos sobre o envelhecimento LGBT:

  • o dobro da probabilidade de ser solteiro e morar sozinho
  • quatro vezes menos probabilidade de ter filhos
  • muito mais provável que tenham enfrentado discriminação e estigma social.

No entanto, nem tudo são más notícias. Esforços de vários grupos e entidades estão a trabalhar em diversas iniciativas para que as pessoas LGBT possam viver vidas mais equilibradas e completas, em Portugal e no mundo.

#Os primeiros passos para a mudança

Devemos começar por eliminar as disparidades que nos separam e aumentar os esforços para que indivíduos LGBT possam ter uma vida longa e saudável.

  1. Entrar em contato com um médico

Para o melhor atendimento possível, o médico deve saber que o indivíduo é gay/ lésbica ou qualquer outra orientação sexual. Devem ser feitas perguntas específicas sobre si e oferecidos os testes apropriados. Se o profissional de saúde não parecer confortável consigo, encontre outro.

  1. Procurar ajuda

A depressão e a ansiedade parecem afetar as pessoas LGBT numa taxa mais alta do que na população em geral. A probabilidade de depressão ou ansiedade pode ser mais grave para as pessoas que “permanecem no armário” ou que não têm apoio social adequado. Adolescentes e adultos jovens podem estar em risco de suicídio, devido a essas preocupações. Serviços de saúde mental culturalmente sensíveis, voltados especificamente para estas pessoas, podem ser mais eficazes na prevenção, detecção precoce e tratamento destes problemas. Encontrar a pessoa certa para esse suporte pode fazer toda a diferença no sofrimento.

  1. Quebrar barreiras

Pessoas lésbicas, gays, bissexuais ou transgéneros vêm de todas as esferas da vida e incluem indivíduos de todas as idades, todas as raças e etnias, todos os status socioeconómicos, e diferentes experiências de vida.

É necessário que a sociedade repense a definição de “normalidade” com a qual encara o que significa saúde e bem-estar. O que para muitos de nós pode parecer normal, como irmos ao médico e nos perguntarem sobre a nossa vida amorosa ou sexual, pode para muitos ser um motivo de sofrimento e de discriminação. As necessidades das pessoas LGBT devem ser incluídas na visão médica, para que seja finalmente possível eliminar todas as disparidades na saúde e no mundo.

Eu, como médica, escolho o direito à #igualdade!

A Dra Andreia de Almeida é médica certificada em Medicina Funcional e Medicina Anti-Aging, com treino especializado em Modulação Hormonal e suplementação avançada. Conhecida pela sua abordagem empoderadora e focada na pessoa, através da sua prática clínica procura inspirar as pessoas a encontrarem o equilíbrio, o bem-estar e a felicidade interior.

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