Em 1977, Yves Saint Laurent, após regressar de uma viagem ao Extremo Oriente, decidiu revisitar os esplendores da China Imperial com uma colecção de Alta-Costura imponente, fascinado pelo Oriente e as viagens interiores e memórias que esta parte do mundo lhe suscitava. A extensão a um perfume foi óbvia e com a dupla Pierre Dinand, um dos mais importantes designers de packaging para perfumes que desenhou o frasco, e Jean-Louis Sieuzac, perfumista que o compôs, criaram uma obra-prima da perfumaria, bastante provocadora para a época floral que se vivia, mas também polémica pela proximidade com Youth-Dew de Estée Lauder, lançado em 1952 e que levou esta a relançá-lo como Cinnabar em 1978, em resposta a YSL.
Polémicas à parte, Opium revolucionou o marketing dos perfumes, pelo seu nome, pelo seu frasco, pelo seu preço e pela publicidade com um filme provocador e a comunicação que tinha Jerry Hall fotografada por Helmut Newton como protagonista.

#OPerfumista: não pode morrer sem cheirar… Opium

Vivia-se a época dos perfumes florais e a ambição de lançar um perfume poderoso e tenaz, na linha de Shalimar de Guerlain, recuperando uma família de perfumes que estava longe de estar em voga e praticamente esquecido desde os anos 40, os Orientais, foi a fórmula para o sucesso estrondoso de Opium. Em Paris esgotou e em Nova Iorque, apesar da tentativa de inibição legal moralista de alguns movimentos, o sucesso foi total. Opium ali estava incitando ao exibicionismo olfactivo e carregado de sensualidade. Ninguém ficava indiferente à sua passagem.

#OPerfumista: os Descobrimentos num sabonete
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“Chanel deu às mulheres a liberdade, Yves deu-lhes o poder”, disse um dia Pierre Bergé, seu mentor e companheiro de sempre. Opium apresenta-se com um início cítrico e aldéhydico, com uma Tangerina e Bergamota, elegantes, frescas e excitantes pela proximidade com a pimenta preta, provocadora e atrevida e o aldéhydo que lhes dá força e os atira para a frente. Segue-se um acordo de notas frutadas envolventes em que o pêssego e a ameixa, madura e sedutora, assumem o protagonismo, logo seguido por um bouquet floral rico e opulento em que se destacam o cravo, a rosa e as flores brancas como o jasmim de Sambac. O final que remata a composição de uma forma persistente, excepcional e misteriosa tem, além de uma baunilha deliciosa, notas balsâmicas e resinosas, com a mirra, patchouli e âmbar a contribuírem para um dos elixires mais cobiçados e usados nos anos oitenta.
Uma extraordinária composição, na sua versão original, e que em muito contribuiu para o sucesso de Yves Saint Laurent, também, nos perfumes. Muitas foram as mulheres que o usaram pelo mundo, ainda assim, entre as famosas destacam-se Jerry Hall, Salma Hayek e Heidi Klum. Os tempos mudaram e hoje Opium está fora do seu tempo. Mas como qualquer vício, nunca sabemos quando pode acontecer uma recaída. Neste caso olfactivo e bem mais saudável.

É um apaixonado por aromas e perfumes. Formado em Composição de Perfumes na Cinquième Sens, em Paris, membro da Société Française des Parfumeurs e júri do Prémio Máxima de Beleza, Lourenço Lucena cria perfumes e organiza formações e eventos, em torno deste universo mágico. Adoramos fazer com ele esta viagem olfactiva.

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