Foi a “vontade de partir p’ra outro lugar”, como canta em ‘Estou além’, que fez com que António Variações partisse para Lisboa, com apenas 12 anos, em busca do futuro com que sempre sonhou. Foi um dos nomes mais influentes da cultura popular portuguesa e um dos principais artistas da música na década de 80. Um nome que narra a história de um artista genuíno e inimitável, um cantor de voz tremida que contava a própria vida nas suas canções originais, tão poderosas quanto a sua simplicidade. Apesar de uma carreira demasiado breve, que não durou mais que dois anos, António Variações conseguiu alcançar o sucesso e um legado no mundo da música até aos dias de hoje.

Em Fiscal, uma aldeia remota no distrito de Braga, nasceu António Joaquim Rodrigues Ribeiro, mais conhecido como António Variações, a 3 de dezembro de 1944. Cresceu no seio de uma família humilde e numerosa com mais onze irmãos e, como era habitual das famílias portuguesas rurais da altura, António começou a trabalhar desde muito novo. Sempre acreditou nas suas capacidades, terminou a 4º classe e aos 12 anos percorreu quase 400 km em direção à capital.

Começou por distribuir mercearias, passou para empregado de escritório e, mais tarde, a barbeiro. Ao mesmo tempo, cantava com bandas de garagem e chegou a atuar em bares e discotecas de Lisboa, como o Trumps. Da capital, viajou para Londres, Nova Iorque e Amesterdão, onde aprendeu a arte de ser barbeiro. Profissão que deu continuidade em Lisboa, onde chegou a abrir uma barbearia chamada “É pró Menino e prá Menina”. A cidade inteira queria conhecer o cabeleireiro de barba grisalha e estilo irreverente, que sem qualquer formação na área da música, estava a dar que falar no pop português.

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A música sempre foi uma realidade muito presente na sua infância e na aldeia onde viveu. Gostava das romarias, do folclore e, já em Lisboa, ganhou o gosto pelos teatros, cinema e pelo fado de Amália Rodrigues. Variações era um homem muito viajado para a época e terá sido o seu espírito aventureiro que viria a inspirar alguns dos temas que compôs. Em 1978 assinou contrato com a editora Valentim de Carvalho e, nesse mesmo ano, editou o seu primeiro single com os temas 'Povo que Lavas no Rio' e 'Estou Além'. A partir desse momento, o cantor começou a dar nas vistas e depressa viu a sua imagem a ser projetada por todo o país. ‘Canção do Engate’, ‘É P’ra Amanhã’ ou ‘O Corpo é Que Paga’ são algumas das músicas que marcaram a época e que ainda hoje continuam a ser lembradas, adaptadas e reinterpretadas por inúmeros artistas portugueses.

A sua imagem excêntrica e colorida era tão icónica e surpreendente como as suas canções. De casacos com pormenores brilhantes ou plumas, calças de pele, brincos e anéis vistosos, cintos largos e boinas, Variações fazia parar o trânsito de Lisboa sempre que saía à rua. O lápis preto na linha d’água e a barba alourada eram a sua imagem de marca. Em todos os espetáculos destacava os olhos com sombras fortes e coloridas, já no cabelo, o slick hair era o seu penteado de eleição.

Quando um dos seus maiores êxitos, a 'Canção de Engate' chegou às rádios portuguesas, já António Variações estava internado no hospital, acabando por falecer a 13 de Junho de 1984, vítima de uma broncopneumonia provocada pela Sida.

Em 2018, a escritora Manuela Gonzaga lançou a biografia do cantor, 'Entre Braga e Nova Iorque' e, no ano seguinte, é lançado o filme 'Variações' protagonizado pelo ator Sérgio Praia, que se revelou um sucesso de bilheteira. Apesar da sua breve carreira, Variações foi cor e alegria, num Portugal cinzento e ainda conservador.

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