Depois de meses fechados em casa por causa da pandemia... meses de teletrabalho, telescola, almoços e jantares on demand, briefings e reuniões à distância de um clique e níveis de paciência cada vez mais baixos, eis que as férias finalmente se vislumbram no horizonte. Neste momento em que me leem, já eu estarei, certamente, de fato de banho vestido e a aproveitar o verão ao máximo – isto se S. Pedro não me trocar as voltas.

#ÀFlorDaPele: não é a pele que nos define
#ÀFlorDaPele: não é a pele que nos define
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Andei em contagem decrescente durante toda a semana, numa ansiedade digna de adolescente, que me fazia lembrar que estava quase, quase, quaseeee... a chegar o tão esperado dia. Para além dos pontos de situação no trabalho, dos status e dos memos, de marcar depilação com antecedência, ou ter as unhas das mãos e dos pés em condições e de forma a aguentar durante duas semanas, de pôr roupa a lavar com a devida antecedência – precavendo que não tenho nenhuma surpresa na hora de fazer as malas e ficar de fora alguma peça im-pres-cin-dí-vel que eu me esqueci de assegurar – há mais na planificação de ir de férias do que apenas estes ‘problemas’ triviais e tão primeiro-mundistas. Há a minha pele.

Pode parecer surreal para quem me lê quando digo isto, mas é verdade. Antes de ir de férias, tenho de ver em que estado se encontra a minha pele, que cuidados necessita e, até, se tenho cremes suficientes para levar, se é necessário assegurar o stock, se o sítio para onde vou tem facilidades de adquirir os cremes que me hidratam e dão conforto em caso de necessidade, algo tão simples como um supermercado ou uma farmácia por perto, porque a verdade é esta: se não tem, eu tenho de levar, por forma a assegurar as minhas duas semanas de ausência. E por isso, há toda uma planificação que é necessário assegurar, a par de tudo o resto, que vai desde “Onde é que estão as braçadeiras do mais novo?”, até ao “Tenho as malas feitas, as plantas regadas e os meus cremes na bagagem!”.

#ÀFlorDaPele: férias são sinónimo de pé descalço e pele de fora
créditos: foto: Jakob Owens/Unsplash

E eu, que odeio fazer malas, confesso, tenho de me organizar ao ponto de, nos dias que antecedem a minha partida, ter tudo previsto e assegurado. É uma logística tremenda – isso e o homem a reclamar porque a bagageira do carro vai a abarrotar e não há espaço para mais nada. Mas dessa parte trata ele.

Na minha mala de verão e de cuidados para a pele vão os protetores solares fator 50 – que tanto dão para mim como para os miúdos – assim como cremes gordos e hidratantes, que me permitem ter o conforto e a hidratação necessária. Com a água – seja do mar ou da piscina – e o sol, a pele fica extremamente desidratada e ressequida, pelo que tenho de reforçar – ainda mais – a hidratação da mesma. Saio da água e toca de pôr creme, estou ao sol e vai de pôr creme, depois de sair da praia toca a pôr creme, após o banho em casa vai de pôr creme, antes de dormir idem, e assim é a minha vida nas férias.

#ÀFlorDaPele: corpo de verão em 2020
#ÀFlorDaPele: corpo de verão em 2020
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Claro que com os cremes vão também vários fatos de banho e algumas saídas de praia. O único inconveniente é que a gordura dos mesmos me dá cabo dos elásticos dos fatos de banho e biquínis, que rapidamente se estragam, ficam com ar frouxo e velho. Mas vejamos o lado positivo: tenho motivos para renovar o stock todos os anos. Também não é por ter esta condição de pele que deixo de ir à praia ou à piscina e de me divertir com os meus filhos em brincadeiras na água, mais ou menos exposta, perto de outras pessoas ou não.

Esta semana falei com uma amiga belga que tem a mesma condição de pele que eu, ictiose bolhosa. Dizia-me ela: “Que corajosa és por te expores na piscina e na praia em fato de banho. Não tens vergonha? A tua pele não fica engelhada quando sais da água? A minha filha está sempre a dizer-me para ir para a piscina com ela, mas nunca tive coragem.”

E eu pensei: 'Caramba, nunca nadou com a filha por causa disto? Nunca se divertiu na praia por causa disto? Sempre se condicionou mais do que esta própria condição a condiciona? Nem pensar! Não deixo que uma condição que eu não controlo e que nasceu comigo me controle. Hei-de ir à praia, à piscina e fazer tudo a que tenho direito, com os meus filhos ou sem eles, porque eu quero experimentar e viver e não ser menos pessoa por isso!'

#ÀFlorDaPele: férias são sinónimo de pé descalço e pele de fora
créditos: foto: Angelo Pantazis/Unsplash

E ela perguntava-me: “E os teus pés? Como fazes para que as pessoas não vejam ou olhem para os teus pés?” – sabendo, tal como eu, que são das zonas mais inestéticas do nosso corpo. “Não faço”, respondi com naturalidade. “Procuro, no meu dia a dia, não ter os pés muito expostos, mas na praia e na piscina não consigo evitar. E já aceitei e vivo bem com isso. Está tudo na nossa cabeça! A maioria das pessoas nem se apercebe, e mesmo que se aperceba, eu não me importo. Por isso, vai mergulhar na piscina com a tua filha e dá-lhe um verdadeiro momento de felicidade, algo tão simples que pode fazer com a mãe e que ela quer e te pede que aconteça.”

Ela leu o que escrevi, despediu-se com beijinhos e não disse se ia ter coragem para o fazer. Quanto a mim, podem ter a certeza que é o que irei fazer todo o santo dia durante os próximos 15. Muitos mergulhos e pé descalço, na piscina, na praia ou em casa. Quem não goste que feche os olhos, vire a cara para o lado. Porque a vida é para ser vivida e finalmente estou de férias!

Mafalda Santos fez das palavras profissão, tendo já passado pelo jornalismo, assessoria de imprensa, marketing e media relations. Acredita em quebrar tabus e na educação para a diferença, temas que aborda duas vezes por mês, na Miranda, em #ÀFlorDaPele.

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