Ao fim de dois meses de quarentena, nem me atrevo a colocar-me em cima da balança. Não preciso de ter a confirmação de algo que para mim já é mais que óbvio. Nestes dois meses de sedentarismo forçado, de bolos, pão e vinho às refeições, as calças de ganga ainda fecham, mas não deixam margem para dúvidas: engordei.

O meu telemóvel, que todos os dias conta os passos que dou, passou dos seis mil diários para uma média de 100 por dia. E, se no início da quarentena cedi às vontades emocionais, dando azo ao estômago para se deleitar com tudo aquilo que me dava conforto emocional e fazia as minhas papilas gustativas baterem palminhas, ao fim de mais de 60 dias em casa já acho que é tempo de fechar a boca, mesmo que o verão de 2020 esteja cancelado para todos.

#ÀFlorDaPele: não são dias fáceis, estes que vivemos
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Já basta a difícil conjuntura atual, as notícias sobre o estado da pandemia, o número de infetados e a crise que se adivinha, se nos tiram os poucos prazeres terrenos que temos, o que nos resta? 2020 parece saído de um filme de Hollywood, com direção do Quentin Tarantino e argumento do Stephen King: há mortes, há sangue, há um vírus enlouquecido, há um mundo virado do avesso, e isto ainda nem vai a meio, pelo que o final é imprevisível. No meio disto tudo, os privilegiados que continuam em casa, em teletrabalho (nos quais me incluo), empanturram-se, depositando as frustrações de um verão cancelado, sem festivais e com acesso condicionado a praias, nos belos pratos e receitas que fotografam e colocam nas redes sociais. Assim como assim, o corpo de verão 2020 já foi cancelado, certo?

Bom, a cantora Adele veio provar que não e mostrou que andou a preparar-se para que 2020, ao contrário de todos nós, seja o seu ano quando, na semana passada, deixou a internet ao rubro ao mostrar-se quase irreconhecível com menos 45 quilos. Não sabemos se a sua perda de peso foi fruto de um exigente plano de exercício físico, dieta rigorosa, cirurgia plástica ou um misto dos três, se o seu confinamento passou por não se deixar levar por tentações de gula como a maioria de nós, mas a verdade é que neste momento a Adele parece ser a única pessoa que ostenta um corpo de verão – ela e a Carolina Patrocínio.

#ÀFlorDaPele: a quarentena não é boa para a Beleza (nem para a saúde em geral)
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Brincadeiras à parte, eis que eu, depois de 60 dias sem praticamente me mexer, decidi começar a procurar planos de treino em casa e a dedicar-lhes diariamente meia hora. Comecei a fazê-lo pela minha saúde mental e física, não por uma questão de moda ou do aproximar da época balnear. E cheguei à conclusão de que em casa consigo adaptar um treino de acordo com aquilo que gosto de fazer – ao contrário do que acontece no ginásio, onde passo a aula a praguejar entre dentes e a desejar que acabe o mais depressa possível. Posso escolher uma música que gosto e fazer ao meu ritmo, sem pressas, sem me sentir constrangida com olhares indiscretos e sem pressões, a não ser aquelas que a mim própria imponho. As dores que sinto nos músculos provam-me duas coisas: que estava enferrujada, mas que está a fazer efeito.

A prática do exercício físico em casa é uma tendência que se tem vindo a manifestar neste confinamento. Um estudo de cinco universidades portuguesas – Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Trás-os-Montes e Alto Douro – para o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), e que contou com uma amostra de 700 pessoas, revelou que 45% das pessoas que eram fisicamente inativas antes da pandemia iniciaram a prática de alguma atividade física. Programas criados pelos próprios ou retirados das redes sociais, caminhadas e corridas, parecem ser a forma que os portugueses encontraram para se mexerem, para lidarem com o stress e para se sentirem mais ativos nesta fase das suas vidas. Os dados mostram que 72% das pessoas realizam algum tipo de atividade física, dedicando também mais de 43% do seu tempo por semana à prática do exercício físico.

A verdade é que sinto que o facto de estar em casa me ajuda a estar mais motivada a fazer exercício físico, e dificilmente conseguirei ter a mesma disponibilidade quando tudo isto acabar. O tempo que perco em transportes e na deslocação para chegar a casa ao final de um dia de trabalho não tem comparação com o ir ao quarto trocar de roupa, vestir o equipamento e em menos de cinco minutos estar pronta para me dedicar durante meia hora a fazer séries de agachamentos e abdominais.  O corpo de verão 2020 pode estar cancelado, a Adele leva o prémio, mas eu começo já a trabalhar para o de 2021.

Mafalda Santos fez das palavras profissão, tendo já passado pelo jornalismo, assessoria de imprensa, marketing e media relations. Acredita em quebrar tabus e na educação para a diferença, temas que aborda duas vezes por mês, na Miranda, em #ÀFlorDaPele.

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