Porque a nossa história nunca é só uma história. Porque o que nos toca toca-nos a todos. Porque precisamos celebrar as diferenças tanto quanto o que nos une e porque partilhamos todos a mesma camada de mundo, Miranda criou #MirandaSkinStories, uma série de partilhas que começam no nosso bem comum: a nossa pele.

Hoje, no Dia Mundial da consciencialização para o Vitiligo, é a vez de Ana Couto, radiologista natural de Torres Vedras com 31 anos, nos contar o que sente na pele.

"Quando o vitiligo apareceu, aos 6 anos, foi o pânico na família. O primeiro pensamento foi: “A minha filha vai ficar toda branca ou cheia de manchas”. Começaram as visitas a médicos dermatologistas e, de seguida, deparámo-nos com a pouca informação sobre a doença, a pouca resolução e a pouca esperança de cura. Alguns medicamentos foram prescritos, mas todos sem efeito. Na altura, havia pouco uso de medicina alternativa, mas o Reiki foi uma das opções dos meus pais. Mais uma vez, sem efeito. Único tratamento, aceitar.

As dúvidas e os receios passavam todos pelo mesmo, ficar coberta de manchas ou toda branca, sofrer de preconceito e discriminação na escola. Mas fomos todos aprendendo a introduzir a doença na família e no círculo de amigos e, principalmente, em nós.

Hoje, falando dessa introdução parece que foi simples. Mas não! Quando tudo estava mais estável, chegaram os exames nacionais e a entrada para a faculdade. Foi um pico de emoções para mim e também para o vitiligo que se desenvolveu a grande velocidade. Chegou à cara! Pânico! Novamente, visita a médicos, agora com um pouco de mais informação e mais opções de tratamento. Fiz fototerapia e levei todo o pensamento positivo comigo. Sim, regrediu, mas passado pouco tempo voltaram a crescer.

Com o crescimento das redes sociais, surgiu uma página no Facebook Vitiligo em Portugal, onde conheci um creme chamado vitiflora. Até hoje, é o único que utilizo e que vejo resultados na cara. Mas não cura, as manchas voltam e eu reforço!

Deparo-me com muitos preconceitos, mitos, dúvidas e desconhecimento. Se dói, se é contagioso, se está sempre a crescer. Um dia passei por uma situação, uma mãe e a filha a conversarem a olharem para mim e a proferirem os seguintes comentários 'já existem muitos produtos para tapar, não é preciso andar assim, é a doença do Michael Jackson...' Mantive-me calada a ouvir tudo. Mas, aqui dentro, magoou.

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Hoje tenho uma certeza que não preciso de esconder nada! O vitiligo faz parte do que sou, da minha personalidade, da minha essência. Não era eu, sem manchas. A aceitação não é imediata, dói, ficamos tristes. Cada um tem o seu tempo. Mas chegamos lá e é tão bom aceitarmos! A página de Instagram Vitiligo to Go surgiu para me ajudar a passar essa mensagem e mostrar ao mundo que o vitiligo faz parte de nós e que podemos levá-lo para todo o lado sem medo nem preconceito. Amem as vossas manchinhas, sei que é um cliché, mas é com amor que se tranquilizam!"

Dia mundial do vitiligo

Créditos:
Sara Rodrigues
Maquilhagem & Fotografia

Madalena Pacheco
Criação de Logótipo

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