Longe vai o tempo em que, para sermos mais bonitos, ou íamos à faca ou íamos com a fé toda nos efeitos dos cremes e da cosmética. E não havia meio termo, nem no grau de invasão dos procedimentos, nem nos efeitos.

Hoje em dia, graças ao avanço da Ciência, já nos podemos entregar a uma experiência de olhos abertos e, enquanto isso, assistimos aos resultados a acontecerem em tempo real no ecrã do telemóvel, qual filtro de upgrade facial. Menos invasivo que uma cirurgia plástica e muito mais eficiente que um tratamento de rosto.

Estou a referir-me às tecnologias injectáveis, desde o botox, passando pelos cocktails de vitaminas, até aos fillers de ácido hialurónico, que nos preenchem aquilo que o tempo nos tirou ou marcou. Os médicos até já se especializam em harmonização facial, onde podem aprender como melhorar a simetria, atenuar imperfeições, dar ênfase às maçãs do rosto, preencher rugas de expressão, tornar narizes mais direitos, lábios mais cheios, maxilares mais proeminentes e olhares menos cansados.

#ÁguaPelaBarba: o bê-á-bá dos fillers
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Há duas semanas fiz o meu primeiro preenchimento de olheiras. Quando este procedimento me foi sugerido pela primeira vez, achei a sugestão realmente despropositada, já que olheiras não era algo de que me queixasse e, verdade seja dita, "preencher o quê?". Até que, depois de passar algum tempo a seguir redes sociais de medicina estética, tive maior noção da origem das minhas rugas do contorno dos olhos. É claro que a falta de colagénio e a perda de elasticidade contribuem para estas linhas de expressão, mas o facto de ter perdido gordura nesta área fez com que essas linhas tivessem ficado ainda mais vincadas. Este é um efeito natural do envelhecimento masculino, que pode ser corrigido ou melhorado com o preenchimento de olheiras. E, afinal, chamam-se “olheiras” porque são precisamente a zona circundante dos olhos.

Quando já estava no consultório, prestes a fazer o procedimento, o médico também me fez cair por terra as minhas altas expectativas no desaparecimento das rugas. Afinal, já lá estão marcadas. Sair... não saem. Confesso que ainda me custou a recompor deste baque inesperado, mas ainda havia alguma motivação para prosseguir. Primeiro, porque precisava de atenuar os vincos que me davam um ar cansado, e segundo porque ainda tinha aquela esperançazinha secreta em ter alguma razão e ver as rugas desaparecerem. Fui em frente.

#ÁguaPelaBarba: Bruno, põe creme nos olhos!
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Agulhas não me apoquentam, por isso não havia nada a temer. Ainda me filmei de maneira a ver a agulha dentro da cânula (que estava dentro da pele) e nada disto foi doloroso. Recebi anestesiante sob várias formas: em todo o rosto, antes de começar; ainda numa pequena injeção na área que foi perfurada posteriormente; e finalmente na composição do próprio ácido hialurónico. E a partir daí, é largar para o Universo! O Universo que é o médico em questão, diga-se.

Fiquei bastante satisfeito com o resultado, já que vi desaparecerem imediatamente os  tais vincos no sulco nasojugal (região entre a pálpebra inferior e as maçãs do rosto), o que me deu imediatamente um ar mais descansado.

Não estava era a contar com o inchaço no dia seguinte. Deu a impressão de que se tinha preenchido a mais, sobretudo no lado direito. Estava a aperceber-me que tinha feito uma grande asneira. O último pingo de tranquilidade que me restava era saber que existe um método que consegue atenuar o efeito do ácido hialurónico de imediato, sendo que o mesmo também se dissolve com o passar do tempo.

Contactei o médico e mandei-lhe fotografias. E imediatamente tive a minha resposta. Afinal o resultado final só estará à vista ao fim de duas semanas. Até lá, há sempre um inchaço e um ou outro hematoma, que vão desaparecendo. Fiquei mais descansado. E ao mesmo tempo, não fiquei descansado coisa nenhuma. Mas resolvi ignorar a inquietação e ver o que acontecia ao fim de duas semanas. Durante esse período, nunca ninguém me comentou nada relativamente ao procedimento. Também optei por não contar. Mas quis testar até que ponto seria evidente. E não era.

O mais incrível é que, precisamente ao fim de duas semanas, o inchaço passou por completo. Esta quinzena de recuperação, para mim, foi completa novidade. Vejo tanta coisa sobre o tem no instagram e na internet, e essa foi uma informação que sempre me escapou. Fui hoje à nova consulta, para o médico verificar e retocar, pois ainda ficou por preencher um pequeno espaço muito ínfimo, no lado esquerdo, mas ainda há que esperar que o hematoma que se formou nesse ponto desapareça por completo. Nada que um Hirudoid em gel não ajude a acelerar.

A verdade é que somos uma tela viva e cada pessoa terá uma evolução diferente. É importante haver este acompanhamento do médico, que precisa ver o progresso que teve a sua intervenção, para eventualmente ter de a retocar. Ou não. Ou para, simplesmente, reconhecer que, mais uma vez, a obra ficou perfeita à primeira.

Eu, que sou a tela mais rebelde, volto lá daqui a duas semanas para o retoque final. I will let you know.

Bruno Reis, colaborador da Miranda, é o fundador e diretor criativo da Teeorema, marca de T-shirts de luxo.

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