As perguntas avolumam-se: Será que é aconselhável realizar exercício físico durante a minha gestação? Trará benefícios para o meu bebé, ou terá consequências para o seu desenvolvimento? Apesar de o facto de a gravidez ser associada a mudanças anatómicas e fisiológicas profundas, é aconselhada a prática de exercício físico nesta fase da vida.

Esta é uma altura da vida da mulher que envolve emoções intensas e grandes mudanças a muitos níveis. O "American College of Obstetricians and Gynecologists" (ACOG, 2010) reconheceu que este período da vida da mulher potencia a ocorrência de mudanças positivas nos hábitos de vida, e como tal deve haver um incentivo para a prática de exercício físico, em particular para as mulheres sedentárias e com complicações médicas e obstétricas, sempre acompanhadas de avaliação médica.

No passado, as grávidas eram aconselhadas a reduzir o exercício físico, porque acreditava-se que aumentava o risco de aborto ou parto-prematuro. No entanto, a gravidez não dever ser entendida como um estado de infinitas limitações, e as mulheres com gravidez de baixo risco devem ser incentivadas a iniciar ou a dar continuidade ao exercício físico moderado, ou de intensidade progressiva. É importante, contudo, salientar que exageros em termos de intensidade de treino não são aconselháveis, e que uma alimentação equilibrada e uma boa hidratação fazem parte dos bons hábitos a manter.

Durante o período da gravidez, o objectivo do exercício físico é manter o nível da condição física e não o de promover melhorias significativas ao nível da performance, sendo numerosos os benefícios para a mãe e para o bebé. A saber:

  • Aumento da sensação de bem-estar e auto-estima durante e após a gravidez;
  • Melhoria da preparação mental e do corpo para o stress imposto pelo trabalho de parto;
  • Diminuição do risco de ganho excessivo de massa corporal causado pelo aumento da acumulação de massa gorda;
  • Reforço da musculatura e melhoria da posturais;
  • Menor probabilidade de ocorrência de lombalgias;
  • Melhor adaptação cardiovascular à nova situação hemodinâmica;
  • Menor ocorrência de cãibras nos membros inferiores;
  • Aumento da dimensão da placenta, o que por sua vez proporciona um aumento base de nutrientes para o bebé;
  • Redução da probabilidade de realização de parto por cesariana;
  • Promoção da prevenção da diabetes gestacional e redução do risco de pré-eclâmpsia;
  • Contribuição para a facilitação do trabalho de parto;
  • Melhoria da circulação sanguínea.

A elaboração de programas de exercício na gravidez deve seguir algumas recomendações. A saber:

  • A grávida não deve apresentar evidências ou histórico de doenças cardiovasculares ou outros factores de risco;
  • A grávida diagnosticada com pré-eclâmpsia não deve realizar exercício;
  • Se a grávida nunca realizou exercício físico, deve iniciar com muita moderação e supervisão;
  • Não devem ser realizados movimentos balísticos. Durante a gravidez, a laxidão ligamentar provocada por alterações hormonais conduz à instabilidade articular e aumenta a probabilidade de lesão;
  • Evitar posições de decúbito dorsal após o 4º mês, porque pode promover um menor aporte de sangue ao feto;
  • Exercícios que solicitem de forma moderada a musculatura abdominal em geral e a musculatura do pavimento pélvico em particular;
  • Dar especial atenção à solicitação de grupos musculares posturais (cadeia posterior);
  • Os níveis de intensidade devem ser definidos individualmente e aferidos durante o exercício através da escala de percepção individual de esforço de Borg (3 a 5 na escala de 10 pontos).
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O exercício durante a gravidez favorece a manutenção dos hábitos de exercício após o parto. Mais de 90% das mulheres que se exercitam durante a gravidez mantêm os hábitos após a mesma. Assim, aconselho todas as futuras mamãs a verificarem, e perceberem, se existe alguma contra indicação que as impeça de praticar desporto, e em caso de luz verde continuar, ou dar início, à mesma sem hesitações.

Bibliografia ACOG (2010)Your pregnancy and childbirth: Month to month (5 Ed.) Washington, DC: American College of Obstetricians and Gynecologists.

Ricardo Gomes, 31 anos, é Personal Trainer, Formador na Área de Exercício e Saúde e CEO da CHASE Training Academy.

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