Todos os dias nos deparamos com novos conceitos, novas invenções, mas nem todos nos cativam da mesma forma. A Gräffenberg não precisou de muito. Bastou-me ler a sua bio no Instagram - "Clean sustainable clothes infused with skincare and antibacterial properties", em português, "Roupas limpas e sustentáveis, infundidas em cuidados de pele e propriedades antibacterianas" - para perceber que queria saber mais sobre ela.

E assim foi, numa Zoom call dividida entre Lisboa, Porto, Paris e Aveiro, que conheci os criadores da marca portuguesa, Inês, Leonardo e Henrique. Os três amigos que queriam revolucionar o mundo da moda e da Beleza e parecem estar num bom caminho, com um conceito e tecnologia inovadores, não só para a nossa pele, como para o planeta. A Miranda esteve à conversa com estes para saber tudo a Gräffenberg, a marca que deve o nome ao cientista e médico alemão Ernst Gräfenberg, criador do DIU e estudioso do ponto G. O que têm mais em comum para além do nome? A importância que dão ao toque.

Como apresentam a Gräffenberg? É uma marca de moda? De Beleza? Ou nenhuma delas?

Leonardo: A ideia é a criação de uma nova categoria. Quando criámos a marca, um dos objetivos era uma nova área em que somos pioneiros no mundo: o beautywear. Quisemos unir duas categorias: fashion e wellness (moda e bem-estar). Somos uma marca de Beleza, mas também de moda daí o beautywear.

Existem marcas que já lançaram conceitos semelhantes, como a Nivea com leggings anticelulíticos. Houve alguma inspiração nesse sentido ou quando surgiu a ideia não tinham conhecimento do que havia no mercado?

Inês: Por acaso, não sabíamos da Nivea. Mas sabíamos da Salsa que tinha calças de ganga anticelulíticos. Um processo semelhante ao nosso, mas com diferentes ingredientes e, para além disso, neste caso o produto vai saindo com as lavagens, enquanto que a nossa tecnologia tem uma parte que efectivamente vai saindo, mas outra que fica para sempre".

Gräffenberg
créditos: Gräffenberg
Como surgiu a ideia de criar a Gräffenberg?

Inês: Eu e o Henrique somos namorados, então conhecemo-nos há muitos anos. Conheci o Leonardo quando trabalhámos na L'Oréal. É algo que gostamos muito, o wearcare e cada vez se ouve falar mais do skinification... O Leonardo e eu somos obcecados por skincare e sempre tivemos este bichinho de criar uma marca, só que não queríamos que fosse só mais uma marca para o mercado. O Henrique está mais ligado à parte do têxtil, surgiu esta oportunidade e acabamos por avançar neste sentido.

Como foi desenvolvida a tecnologia para unir as roupas aos cosméticos?

Todos: Foi o processo longo (risos).

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Leonardo: A Inês e o Henrique iniciaram o processo e eu juntei-me depois. Na altura, a Inês falou comigo e perguntou "O que achas de roupas infundidas em propriedades de skincare?", eu fiquei "Hã? Isso é possível? Take my money [Leva o meu dinheiro]" (risos). A ideia da Gräffenberg é, primeiro, olhar para as roupas como algo que está sempre ligado à nossa pele, constantemente, todos os dias; segundo, olhar para a nossa pele como um ponto de ligação entre o interior e o exterior, a absorção que a pele faz de cremes, é a mesma que faz das toxinas ou das propriedades boas. Ou seja, olhar para a roupa não só com o objetivo de tapar o nosso corpo, mas como um meio de cuidar da nossa pele constantemente. (...) Não é apenas um tratamento reativo, mas uma prevenção proativa.

A tecnologia

Leonardo: Começámos por escolher fibras perfeitas que, conseguissem aguentar o poder da nossa tecnologia, assim como um design e estrutura mais geométrica. Escolhemos o algodão e cânhamo. O primeiro por ser um tecido super conhecido, respirável, orgânico e clean. Já o cânhamo, é um ingrediente que está no mercado de uma forma incrível por quase não produzir desperdício, quase não precisa de água, mantêm os solos preservados onde está plantada, com um impacto ambiental quase reduzido. O algodão aguenta a nossa tecnologia principal que é a catalização do cobre e o cânhamo responde às questões estruturais do design da peça e de sustentabilidade.

As peças Gräffenberg contribuem para uma pele mais saudável, luminosa, firme, rejuvenescida e livre de bactérias. O cobre e coenzima Q10 usados atuam ambos para uma ação rejuvenescedora. O cobre é um antibiocida natural e estimula a produção de colagénio, enquanto que o Q10 combate os radicais livres, contribuindo para uma pele mais firme e elástica.

Inicia-se o nosso processo bifásico, nossa dual technology. A primeira fase é a catalização do cobre, ou seja, o óxido de cobre penetra no algodão e não sai com as lavagens, é um processo eterno. E assim nasce o nosso G-Cotton. Este depois é interlaçado com o cânhamo, criando o nosso tecido bidimensional com duas linhas. Depois de conseguir o tecido, vem a segunda fase que é a infusão deste com microcápsulas da coenzima Q10. Um ingrediente importante no recarregamento da energia celular, um antioxidante, promovendo o rejuvenescimento. E assim temos o nosso tecido completo para a primeira coleção: completamente clean, antibacteriano, antiviral e infundido com outras propriedades de skincare. Esta tecnologia evita ainda que as peças ganhem cheiro, ao mesmo tempo que desodorizam o corpo e evitam os odores indesejados.

Inês: Esta última parte também é importantíssima, no que diz respeito à sustentabilidade, porque acabamos por lavar menos as peças, reduzindo o gasto de água e de produtos.

Gräffenberg
créditos: Gräffenberg
Como e onde são produzidas as criações?

Henrique: As peças são todas fabricadas em Portugal. O algodão é europeu, o cânhamo não é, simplesmente, porque não existem plantações desta planta na Europa. Mas a partir daí, é tudo feito no nosso país. O fio é fiado na zona norte de Portugal, a tecelagem também, assim como a confecção. Só o que é impossível fazer cá, neste caso, o cânhamo, é que não fazemos. Por isso, podemos dizer que 95% das peças são feitas dentro de portas. Inclui também, as etiquetas feitas de poliéster 100% reciclado, por exemplo, os botões, o packaging.

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Leonardo: Houve também uma obsessão nossa, em que fosse tudo reciclado ou reciclável ou biodegradável. Até o sigilo da etiqueta é feito de amido de milho biodegradável. Tudo para reduzir ao máximo a pegada ambiental.

Inês: Por agora, não usamos tintas nos nossos tecidos. Se avançarmos com a coloração das peças, será com tintas naturais, como flores ou algo que seja amigo do ambiente. Nada que seja químico, porque têm impacto na nossa pele e também poderiam interferir com outros ingredientes presentes nas peças.

Leonardo: Quanto ao design, estávamos super alinhados. Pegámos em peças que gostávamos de ter, vendo a indústria. Queríamos que fosse algo muito geométrico, com linhas muito minimalistas e o ponto de partida foi o bolso grande da camisa. Ao mesmo tempo, queríamos que representasse cinco essenciais no armário e no necessaire.

Gräffenberg
créditos: Gräffenberg
Qual foi a maior preocupação durante o processo de criação da marca?

Inês: Chegámos à conclusão que o facto de termos uma ideia pioneira, tem um lado bom e lado mau. O bom é que somos os primeiros, é algo super inovador, uma nova tecnologia, temos bastante press, etc. Por outro lado, temos educar o consumidor, porque ainda não existe esta necessidade. Essa tem sido a nossa maior preocupação porque requer muito tempo de comunicação, o que não é fácil.

Leonardo: E é também um movimento. Quando lançámos a marca tínhamos a frase "We came to revolutionize the way you perceive clothes" [Viemos revolucionar a tua percepção da roupa.] E com a força certa, acreditamos que vamos conseguir essa revolução. Na forma como vemos as peças de roupa, os pigmentos e químicos usados, muitos deles nocivos para a pele.

Inês: E  podem ter consequências para nossa pele, como cancros e eczemas. Queremos trazer esse tópico para cima da mesa.

Gräffenberg
créditos: Gräffenberg
É difícil criar um identidade própria (e original) quando achamos que já existe de tudo no mercado?

Inês: Acho que a ideia só de si já é única. E por isso, só a partir do conceito, já íamos ter algo diferente de outras marcas. Quanto ao design das peças, queríamos que fosse ao encontro do nosso gosto, que fossem intemporais, clean, que não fossem arrojadas para que não fosse um incentivo ao consumismo.

As redes sociais foram parte importante do projeto?

Leonardo: Sim, é uma marca digital, sem ponto de venda físico, é no Instagram que fazemos a awareness da marca...

Inês: Acaba por ser a nossa montra, o nosso ponto de contacto com o consumidor, é o nosso principal veículo.

Leonardo: E desde  início estipulámos que queríamos ser uma marca com conteúdo. Hoje em dias as marcas têm de ser produtoras de conteúdo que eduque, que traga coisas diferentes e diferenciadoras, que faça sentir coisas diferentes ao consumidor. E estamos muito orgulhosos do nosso conteúdo porque era exatamente aquilo que queríamos.

Percorra a galeria e conheça as peças Gräffenberg:

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