Os pelos corporais estão a ter aquilo a que a indústria gosta de chamar um 'regresso'. Como assim um regresso? Da última vez que confirmámos ainda todos nascíamos com a nossa pele coberta por pilosidades.

O que realmente vemos acontecer todos os dias é uma alteração dos padrões de beleza impostos pela sociedade. Se há alguns anos atrás a depilação brasileira e o laser estavam no topo de prioridades de um corpo que se queria livre de pelos, desde 2017 que se observa um crescimento do número de mulheres que optam por um conceito de beleza voltado para fatores mais 'naturais' e pessoais. São vários os motivos apontados para esta mudança: estamos mais informados do que nunca sobre a composição dos produtos e os possíveis riscos que acarretam para a nossa saúde, a maquilhagem tem vindo a afirmar-se como uma das formas máximas de expressão e criatividade e os standards sobre aquilo que uma mulher deve ou não parecer-se estão a ser rejeitados. Como é que uma mulher deve parecer-se em 2019? Com aquilo que bem entender. E isso inclui os pelos corporais.

Também inclui as mulheres que romperam com esses estereótipos, assumindo publicamente as suas perspetivas sobre a depilação. A remoção de pelos está tão enraizada no nosso pensamento que, como disse Bella Thorne, "muitas das raparigas chegam a odiar os seus pelos corporais" e a condicionar a forma como vivem em detrimento disso. Não temos a depilação feita nas pernas? Então não podemos vestir uma saia - e por aí fora, como se os pelos fossem de alguma forma 'ofensivos' para quem está à nossa volta. "E não vês esse tipo de conformidade em relação a quase mais nenhuma norma social", confirma Breanne Fahs, professora de assuntos femininos e estudos de género na Universidade do Arizona. Muitos associam este pensamento aos termos de uma sociedade patriarcal, em que os papéis de homem e mulher assumem funções e formas diferentes, senão opostas.

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Outra pensamento recorrente sobre os pelos: são sujos. Quando Breanne entrevistou as suas alunas sobre pelos corporais para um estudo publicado na Psychology of Women Quarterly palavras como nojentos, sujos e rude apareceram frequentemente. Porque é que algo tão natural quanto os pelos ganhou este tipo de associações mentais? Muitas mulheres relacionam os pelos à proeminência do mau odor, mas a escritora da NY Mag, Lisa Miller, desenvolveu uma outra teoria sobre os pelos nas axilas que tem sido bastante partilhada. "Evolutivamente falando, o sexo é tudo. Sexo com a pessoa errada pode matar-te e à tua linha genética - através de doenças, infertilidade, azar. Com a pessoa certa, pode garantir que os teus genes são transmitidos para a próxima geração. Os pelos nas axilas assinalam o sexo porque crescem durante a puberdade e são um dos primeiros sinais de maturidade (e fertilidade)."

Para Lisa, os pelos das axilas provocam reações tão adversas porque são uma representação dos perigos do sexo - "e é por isso que os retiramos", diz. "Os pelos das axilas atraiçoam a fantasia ocidental do sexo, que seria divertido, prazeiroso, inocente e, inconsequentemente, uma fantasia que omite a verdade evolucionária."

Os motivos pelos quais a depilação se enraizou tão fortemente na nossa sociedade e nos padrões de beleza são mais do que muitos, incluindo financeiros ou religiosos. Os motivos pelos quais uma mulher deve ou não depilar-se resumem-se a um: ter ou não vontade.

Estas são algumas das mulheres que escolheram manter os seus pelos corporais intactos - e mostrá-los publicamente. Mas há mais: hashtags como #bodyhairdontcare e #bodyhairmovement mostram-nos as muitas adeptas 'anónimas' do movimento por uma beleza cada vez mais inclusiva e democrática.

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