Adoro maquilhagem. Não, não estão a perceber: adoro mesmo. Se fizer uma perspectiva dos meus últimos 15 anos, é ela que tem estado comigo em todos os bons e maus momentos, funcionando como uma melhor amiga com quem me divirto e guardo as melhores recordações ou quase como um escudo protector que me apoia para encarar o mundo pela manhã. Ela já me fez olhar ao espelho e gostar do que vejo, não porque me escondia atrás de uma base, mas porque me fez parar para apreciar algumas das características do meu rosto. Alguns dos meus batons foram - e ainda são - como um antídoto de mau humor e estou certa de que muitas partilham esta ligação com os seus produtos de beleza. A indústria da cosmética consegue ser extremamente reconfortante e usar maquilhagem é um ato de expressão diário que está ao alcance de quase todos.

Mas - e há sempre um mas - estaria a mentir se não dissesse que muitas foram as vezes em que a maquilhagem me serviu apenas de máscara contra as inseguranças, que este meu ritual diário se tornou a minha zona de conforto e que foi preciso chegar aos 30 anos e encontrar a auto-confiança necessária para não fazer da base + corrector uma quase obrigação para me sentir bonita. Sim, pela primeira vez em muito tempo, estou a deixar a maquilhagem de parte, quer seja para tomar um café, uma saída à noite ou até uma fotografia publicada no Instagram. O meu 'eu' de há um ano atrás teria tremido apenas com a hipótese de se ver retratado para a posteridade com a cara lavada, mas de dia para dia aprendi a gostar do meu reflexo, quer isso inclua uma sombra lilás ou apenas um creme de dia (ok, e um tónico e um sérum e um protector solar, mas estão a perceber a ideia).

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A questão é que durante muito tempo os meus (nossos?) padrões de Beleza estiveram associados a uma imagem o mais próximo possível da perfeição, e claro que isso incluía um produto que fizesse magicamente desaparecer tudo o que encaramos como imperfeições (olá, poros, borbulhas e olheiras). Ainda encontramos artigos que compilam rostos de celebridades ao natural como se destronassem completamente a sua beleza e de cada vez que alguém conhecido publica uma fotografia sem maquilhagem lá vai um meio de comunicação (especialmente os dedicados a esta área) correr a lançar a notícia. E vamos lá ver se nos entendemos: estas mulheres não são "corajosas" porque decidem dar ao seu rosto um descanso ao glamour habitual. São apenas mulheres a desfrutar do seu rosto - e de si - tal como é. Reminder: usar ou não maquilhagem é uma escolha meramente pessoal.

Se de cada vez que vejo uma celebridade publicar uma selfie sem maquilhagem isso me inspira? Com certeza. Elas mostram-me que, tal como eu, são humanas, que os papos não são exclusivos do meu rosto e que ter borbulhas aos 30 é ok. Mas, mais importante, elas relembram-me de algo que tantas vezes sou levada a esquecer, algo que se tornou cliché mas que é absolutamente verdade: não há nada mais bonito do que alguém livre, confiante e bonito. Especialmente de dentro para fora.

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