Entrei nos 40 há quase dois anos e adorei. Ao contrário de outros aniversários onde sempre senti o peso do “birthday blues”, quando fiz 40 anos senti-me verdadeiramente feliz e numa nova fase enquanto mulher. Uma fase de aceitação do meu "eu" e de paz comigo mesma. Sem dramas nem complexos, onde aceitei a mulher que me tornei – com falhas e com um percurso de vida intenso, marcado por derrotas e por vitórias. Não vou negar que há determinadas coisas que ainda me custam aceitar nisto da “passagem do tempo”, mas com as quais vou aprendendo a lidar, num misto de conformismo e resignação.

Mas se há coisa de que me tenho apercebido fisicamente nesta minha (ainda) curta demanda pelos 40, é que o meu corpo está diferente – física e fisiologicamente – e que por muito que me esforce, está a manifestar que esta é a nova realidade com a qual vou ter de lidar de agora em diante e aprender a viver com ela. Para já, nestes quase dois anos nos 40, há algumas coisas que já aprendi:

Não controlo a minha bexiga.

Nem nas minhas duas gravidezes me senti assim. E se eu fiz os exercícios de Kegel! É certo que acordava a meio da noite para ir à casa de banho, mas agora chego ao ponto de ter medo de sair de casa com uma garrafa de água se isso significar ficar afastada de uma casa de banho durante um par de horas. É que nunca sei quando é que a minha bexiga me vai pregar uma partida e decidir que é agora – e quando digo "agora", é não aguentar mais de um minuto sem ir a correr para a casa de banho mais próxima – porque parece que transporto a barragem do Alqueva dentro de mim.

Se a minha pele já era seca, agora virou lixa.

Esta é sem dúvida a parte que mais me incomoda. Por mais cremes gordos que compre, por mais experiências que faça, por mais que a hidrate, a minha pele está cada vez mais seca – devido à perda de estrogénio, a hormona que “sustenta” isto tudo. Já para não falar da flacidez ou da celulite. Parece uma batalha inglória (e, de certa forma, é!), mas eu não desisto. O truque? Ando sempre com uma embalagem de vaselina na mala. Dá para tudo: hidratar mãos e calcanhares, pôr na cara e até no contorno dos olhos – onde a pele é mais fina e com mais tendência a ‘estalar’ com a desidratação, as rugas de expressão e a dar sinais da passagem do tempo. Não atenua, mas hidrata. E uma pele hidratada é sempre mais bonita.

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O peso que entra... dificilmente sai.

É outra triste realidade. Se antigamente me gabava de que tinha um metabolismo rápido, que facilmente perdia peso, agora o mesmo anda preguiçoso. E passou a ser cada vez mais habitual ver o peso na balança aumentar… e não desaparecer. Passei a beber cada vez mais água e chás, a comer cada vez mais verdes e frutas, a fazer escolhas sensatas – acima de tudo, optar por boas escolhas, ‘limpas’, cada vez mais conscientes e saudáveis – a ter uma maior noção do que meto dentro do meu corpo. A – literalmente – fechar a boca. Mas o peso, esse, é o meu novo amigo e veio para ficar.

As olheiras passaram a ser outra realidade.

Posso dormir oito horas, ter uma bela noite de descanso, hidratar, colocar rodelas de pepino e saquetas de chá, recorrer a truques caseiros e mezinhas, que as olheiras passaram a ser uma realidade na minha vida, e o corretor outro dos meus melhores amigos. Se nos meus 20 ou 30 anos dormir quatro horas ou cinco não me afetava – nem em rendimento físico, nem se notava no rosto o impacto dessa privação de sono – a verdade é que depois dos 40 não há como disfarçar. Nota-se em todo o esplendor. Acabou aquele ar resplandecente e fresco e nem a dose diária de colagénio e vitaminas como a vitamina D, vitamina A, entre outras, atenua. Claro que podia sempre recorrer a injeções de ácido hialurónico, ou até mesmo ao botox, mas não me sinto preparada para esse passo. Prefiro envelhecer naturalmente, apesar de me doer.

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Rugas, companheiras de uma vida preenchida.

Se as olheiras se instalaram, as rugas seguem-lhes as pisadas e apareceram para dizer “olá”. Cumpro escrupulosamente o ritual de me desmaquilhar todas as noites, de nutrir e hidratar a pele do rosto diariamente. Utilizo um creme de dia e um creme de noite. Coloco creme de contorno dos olhos e protetor solar sempre que saio de casa, utilizo séruns e ampolas de vitaminas, mas a pele do rosto começou a perder firmeza e a ceder forças para a gravidade. Mas eu não desisto e prometo dar luta.

O cabelo perdeu brilho e força.

Cai-me com muito mais facilidade. Também o noto mais fraco e baço, sem aquele brilho que lhe era característico noutros tempos, já para não falar dos brancos, que começaram a aparecer numa base quase diária. Continuo a hidratá-lo com máscaras, aclarei alguns (bons) tons e agora estou quase loura – algo que eu sempre disse que nunca seria, mas que agora não me quero ver de outra forma.

É esta a realidade dos 40: passamos a fazer as nossas próprias regras, desconstruímos certezas que anteriormente levávamos para a vida, quebramos dogmas que tínhamos instituídos em relação a nós próprias. Adaptamo-nos e seguimos em frente. Se é fácil? Não. Mas também nos sentimos mais mulheres do que alguma vez fomos, e com a certeza de que aquilo que não conseguimos remediar, remediado está. Não visto um 36 de calça e visto um 40? Sem problema, as minhas ancas estão em conformidade com a minha idade. Cheias de si mesmas, com a certeza de que há muito mais agora para descobrir do que alguma vez houve.

Mafalda Santos fez das palavras profissão, tendo já passado pelo jornalismo, assessoria de imprensa, marketing e media relations. Acredita em quebrar tabus e na educação para a diferença, temas que aborda duas vezes por mês, na Miranda, em #ÀFlorDaPele.

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