São conhecidas em todo o mundo, consideradas mulheres de sonho, e estão agora com mais de 40. A beleza pela qual sempre foram conhecidas transforma-se e, com isso, muitas veem os papéis diminuir de forma drástica, ficando cada vez mais afastadas do grande ecrã ou de serem a escolha principal dos produtores e realizadores. Mas há algo mais que as une: o facto de todas estarem despertas para a temática da menopausa e de falarem da mesma abertamente e sem medos. Aliás, explorando-a a seu favor.

Ao contrário das gerações anteriores, em que a menopausa era um assunto tabu e em que a grande maioria das mulheres a vivia de forma silenciosa e solitária, estas mulheres e outras da Geração X (indivíduos nascidos entre as décadas de 60 e meados de 80) não estão dispostas a passar pelo mesmo sozinhas, mas sim a falar sobre a problemática, virando a situação a seu favor. E falar da sua experiência na primeira pessoa, dando a sua história como exemplo, foi a forma mais inteligente que encontraram para alertar para uma situação que todas vamos ter de aprender a viver. Se for a Naomi Watts – que conta atualmente 54 anos – a alertar-nos sobre o assunto, será que não vamos parar e escutar?

#ÀFlorDaPele: vamos falar de menopausa?
créditos: Photo: iamstripes.com

Porque, convenhamos, a menopausa tem muito pouco de atrativo: o cabelo fica mais fino, terá afrontamentos de calor, duvidará muitas vezes da sua perspicácia mental, as articulações irão doer, poderá não reconhecer o seu próprio corpo, ganhar peso, e até o apetite sexual sairá prejudicado, matando o desejo de outrora e transformando-o num deserto árido. Também é, normalmente por esta altura, que a mulher enfrenta a difícil gestão de ter filhos que ainda requerem muita da sua atenção, ao mesmo tempo que assume o papel de cuidadora dos seus pais (se os tiver), ficando ainda mais cansada do que quando era mais nova. Se tiver a sorte de sair da menopausa sem grandes maleitas ou impacto na sua saúde física e emocional, há uma grande probabilidade de desenvolver uma doença cardiovascular ou óssea, como a osteoporose, uma vez que a menopausa acelera a perda óssea em cerca de 20 por cento.

Por tudo isso, mas também porque há uma população cada vez mais envelhecida e haverá cada vez mais mulheres a chegar e a vivenciar esta faixa etária, atrizes como Naomi Watts já se posicionaram e piscaram o olho a um mercado projetado em 600 mil milhões de dólares até 2025, segundo um recente relatório de tendências apresentado na Global Wellness Summit.

A atriz, que teve uma menopausa precoce aos 36 anos, é a fundadora e CCO – Chief Creative Officer – da marca Stripes – um negócio totalmente dirigido a mulheres a entrar, ou já na menopausa, onde pode encontrar desde cremes de rosto, corpo, mãos, cabelo, suplementos vitamínicos, uma variedade de soluções hidratantes à base de ectoína, lubrificantes, sprays e, até, um probiótico vaginal.

Como explica a atriz no relato que podem encontrar na página da marca, “ao longo da minha carreira como atriz, já ultrapassei tsunamis ou fiquei frente a frente com o 'King Kong'. Mas nada me preparou para a menopausa precoce. Acordava a meio da noite encharcada em suor. A minha pele estava seca e tinha comichão. As minhas hormonas estavam por todo o lado. Lembro-me de me sentir tão confusa e sozinha, como se não tivesse controlo sobre o meu próprio corpo. Criei a Stripes porque merecemos apoio, soluções, e um espaço que permita integrar isso tudo. Porque embora a menopausa possa fazer parte da meia-idade, a meia-idade é muito mais do que apenas a menopausa.”

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Mas Watts não é a única a explorar este filão de oportunidade utilizando o seu testemunho, rosto e fama para a temática. Também a conhecida consultora de moda Stacy London – que entrou, durante anos, em programas de estilo como 'What Not to Wear', criou a marca State of Menopause, que segue a mesma premissa e onde, do cabelo, à pele, poderá encontrar vários produtos dirigidos para mulheres na meia-idade, com um relato igualmente contado na primeira pessoa: “Por volta dos 47 anos de idade, o meu corpo começou a doer. O tempo TODO. Não conseguia dormir. Não conseguia lembrar-me de palavras como lápis ou laranja. Chorava constantemente. A minha pele (e as regiões inferiores) secavam como o Sahara. Tinha sempre comichão. De repente tinha acne cística e cabelo grisalho no queixo. Estava ansiosa e rabugenta. O meu período parou (o que me poupou uma tonelada em tampões), mas veio com a perceção e a dor de que não podia (mesmo que quisesse) ter filhos. A minha linha do maxilar desapareceu. A minha linha da cintura desapareceu. O meu cabelo e as minhas unhas ficaram quebradiços e fracos. E depois comecei a ficar muito quente. Parecia que tinha tomado um duche, completamente vestida! O que me estava a acontecer nas profundezas mais profundas do Inferno? Eu não sabia. Porque nada e ninguém me preparou para a menopausa.”

#ÀFlorDaPele: vamos falar de menopausa?
créditos: Photo: State of Menopause

Também atrizes como Gwyneth Paltrow, Drew Barrymore, Cameron Diaz, Glennon Doyle e Abby Wambach, não são imunes a este tema, tendo contribuído para angariar 28,5 milhões de dólares para a Evernow, uma empresa de telemedicina que ajuda a enviar mensagens de texto para uma consulta médica de terapia de substituição hormonal, também conhecida como terapia de substituição na menopausa, sem marcação de consulta ou exame físico.

A menopausa tem sido um tema recorrentemente ignorado pela cultura e sociedade atuais, pela medicina e pelo bem-estar, provocando impactos profundos e significativos no corpo e espírito da mulher, não devendo por isso ser abordado e encarado com ligeireza. Mas por todo o mundo assiste-se a uma viragem e a uma apresentação crescente de soluções que visam tornar a menopausa menos difícil e mais suportável. Alternativas que permitam às mulheres ter mais informação, experimentar soluções diferentes, ou sentir apoio comunitário, sendo talvez esse princípio a alternativa “medicinal” mais poderosa.

Não há cura para a perda de estrogénio que todas as mulheres enfrentam a partir de determinada idade, mas ajudar uma mulher a lidar com os desafios físicos e emocionais que encontra nesta altura da vida, e fazê-la sentir-se apoiada e não esquecida ou “fora de prazo”, talvez seja o antídoto mais necessário para uma sociedade demasiado focada no eternamente jovem.

Mafalda Santos  fez das palavras profissão, tendo passado pelo jornalismo, assessoria de imprensa, marketing e media relations. Acredita em quebrar tabus e na educação para a diferença, temas que aborda duas vezes por mês, na Miranda, em #ÀFlorDaPele.

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