Existe uma página criada no Instagram cuja função é apenas uma: estragar os nossos dias. Com apenas uma palavra publicada diariamente, @vouestragarseudia publica palavras que se tornaram verdadeiros conceitos significativos de pesadelos, como ‘cancelar’, ‘wellness’ ou ‘sinergia’. Vocábulos do universo corporativo ou comportamentos que ganharam um hype inesperado e significam apenas uma grande dor de cabeça ou, no mínimo dos mínimos, um revirar de olhos.

Para muitas pessoas, hoje poderia ser dia de mais uma publicação dessa página. O post? O layout a negro habitual da página, com três palavrinhas escritas a branco: Dia dos Namorados. Como é que um dia que celebra o amor pode ter-se tornado tão odiado?

O princípio tinha tudo para resultar, mas como em quase tudo em que o mundo industrializado vê uma oportunidade de negócio, rapidamente a data ganhou os seus apetrechos comerciais, corações ao alto e em formato alimentar (eu juro que vi hoje no supermercado uma tábua de queijos não aconselhada a cardíacos), jantares, surpresas, declarações e por aí fora.

#Domingando: comer, yogar, amar
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Não faltou muito até o dia 14 de fevereiro se tornar tão adorado quanto desdenhado – e sim, adivinharam, grande parte destes haters são solteiros. Já debatemos o suficiente sobre amor-próprio (outra palavra que, mais dia menos dia, pode surgir naquela página) para nos afastarmos da ideia de felicidade ao estilo comédia romântica do início dos 2000, quando tudo o que interessava a qualquer protagonista feminina era encontrar alguém. Não alguém especial, não alguém que trouxesse algum tipo de relevância à sua vida, não alguém suficientemente interessante. Alguém. E desde que somos crianças, e nos começam a tentar fazer arranjinhos na escola, que percebemos que, no contrato social ‘estudar-trabalhar-casar’, ter uma relação é não só uma missão como um reflexo direto da nossa felicidade.

Crescemos, fazemos amigos, conquistas profissionais, viajamos, e mesmo assim a ideia de estarmos sozinhas continua a ser mais assustadora para a maioria do que se lhe dissermos que o que lhe falta não é um namorado, mas amor-próprio.

Todos queremos receber e dar amor, mas antes de porem o amor romântico num pedestal e se sentirem ‘incompletas’ por não estarem nesse tipo de relação – been there, done that – é importante começarmos por trepar até lá acima nós mesmas.

#Domingando: amor à primeira vista
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Há muitas formas de nos sentirmos bem recebidos e amados: dentro de um grupo de amigos, na nossa casa, no trabalho que produzimos, na comida que partilhamos. Vistas as coisas, o amor está em quase todos os aspetos da nossa vida e no empenho que colocamos em nutrir as coisas de que gostamos. A nossa rotina de skincare, os nossos hobbies, aquela meia hora de leitura por dia, um facetime com a nossa melhor amiga, um treino de 20 minutos. Respeitar e cuidar daquilo que nos traz bem-estar é, neste dia e em qualquer outro, o maior gesto romântico que podemos ter. Connosco e, consequentemente, com quem vier dividir aquela tábua de queijos em formato de coração.

Do jornalismo à comunicação, é na escrita que Patrícia Domingues espelha a sua natureza curiosa e bem-humorada. Na Miranda, a libriana partiha instantes de um eterno namoro pela Beleza, bem-estar e cosmética.

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