Para primeiro texto de 2023, ainda não tinha tema definido. Até que as músicas que inflamaram as redes sociais e subiram ao top na última semana deram-me a epifania que precisava. Amor-próprio parece ser a conclusão a que chegaram Shakira ou Miley Cyrus, depois de terem passado pelo término das suas relações – ambas públicas – e de terem transposto para as letras das suas novas músicas a dor que sentiram durante o processo.

Como do amor ao ódio vai um passo, e Shakira refere-o inclusive no seu novo single, que conta com a participação do DJ argentino Bizarrap, ambas transmutaram tudo o que sentiram naquilo que sabem fazer de melhor: música. Mas, mais importante do que isso, transformaram-nas em hinos de empoderamento para tantas outras mulheres que, como elas, já estiveram na mesma posição ou que, tão somente, aprenderam que antes de amar alguém e de colocar o outro no topo da sua atenção, devemos focar-nos primeiro em nós e amar-nos antes de todas as coisas.

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O processo e o que sentiram até chegarem a essa conclusão, as emoções, lágrimas e dores que dele fizeram parte, é delas e só elas saberão como foram vivendo as várias etapas até chegarem a este momento de libertação que, goste-se ou não do estilo de cada uma, poucas serão as mulheres que não se reveem em alguma estrofe ou momento. Sejam elas mais diretas e óbvias, como parece ser o estilo de Shakira, ou mais subliminares, como podemos ver no single 'Flowers', de Miley Cyrus, a verdade é que o que gerou tanta conversação nos últimos dias foi o facto de ambas as músicas serem dirigidas aos ex-maridos, como uma vingança arquitetada por mulheres feridas.

Mas eu olho para ambas e vejo empoderamento. Vejo duas mulheres que foram ao fundo da dor, mas que voltaram mais fortes e que se priorizaram. Que transpuseram sentimentos para letras de músicas, porque isso é o que sabem fazer, porque foram fiéis à sua essência, transmutando esta experiência e transformando-a em algo motivador, para elas e, também, para o mundo. O que poderá ser mais libertador e iniciático de uma nova fase da vida do que uma canção? Um hino de amor-próprio e de libertação cantado na primeira pessoa?

E apesar de estarmos em 2023, o mundo ainda não se habituou a ver (e ouvir) mulheres cantarem músicas de empoderamento sobre uma relação falhada, em que expõem o que o ex-parceiro fez de errado ou de como as fez sentir – mesmo que isso signifique que a traição que sofreram é pública e tenha sido presenciada por todos. Em pleno 2023, ainda se espera que estas mesmas mulheres – neste caso, Shakira e Miley Cyrus, mas tantas outras – sofram em silêncio, tenham decoro e sejam cautelosas na forma como contam, publicamente, pormenores de uma relação que no final se pretende que seja privada, porque isso é sinónimo de elegância e bom-senso, que se recolham na dor, mesmo que isso signifique que os ex-maridos já tenham novas parceiras e apareçam incólumes perante a opinião pública.

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Segundo um artigo da Harvard Business Review sobre a forma como a confiança é percecionada nas mulheres, servindo de arma positiva e negativa na sua progressão de carreira, refere-se que “embora a confiança seja um conceito ostensivamente neutro em termos de género, a investigação descobriu que a confiança não é apenas de género – é uma arma contra as mulheres. Quando as mulheres não conseguem atingir objetivos de carreira, os líderes são propensos a atribuir isso a uma falta de autoconfiança. E quando as mulheres demonstram elevados níveis de confiança, através de comportamentos tais como serem extrovertidas ou assertivas, arriscam-se a exagerar e, ironicamente, a ser vistas como carentes de confiança.”

No fundo, os vídeos e músicas da Shakira e da Miley Cyrus, lançadas nos últimos dias, provocaram este efeito dual nas massas. Há quem aplauda e veja a confiança de cada uma nas músicas que cantam, e há quem aponte o dedo e veja a vingança e/ou a carência que as relações entretanto terminadas lhes provocaram.

Eu vejo o amor-próprio. Vejo que embora concorde ou não com a forma que escolheram para o manifestar, que têm o direito a contar a sua parte da história quando ainda não tiveram oportunidade de o fazer. E se for a cantar, então é porque souberam transformar a dor em arte.

Mafalda Santos  fez das palavras profissão, tendo passado pelo jornalismo, assessoria de imprensa, marketing e media relations. Acredita em quebrar tabus e na educação para a diferença, temas que aborda duas vezes por mês, na Miranda, em #ÀFlorDaPele.

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