É comum que, enquanto consumidores, apenas nos preocupemos com a embalagem dos produtos, cosméticos e todos os outros, dada a guerra ao plástico que anda a ser feita. Importa perceber que cada creme que temos em casa leva ingredientes. Estes ingredientes tiveram de ser produzidos. No caso de serem naturais, tiveram de ser cultivados, regados, colhidos, transportados, processados... ocuparam solo, precisaram de água e consumiram energia.

Depois de realizada a fórmula, a mesma é colocada numa embalagem que garanta a melhor conservação possível do produto (e sim, o plástico é um material óptimo neste aspecto!). Usamos o produto, da maneira mais consciente possível, e chega a hora de descartar a dita embalagem.

Tudo isto entra na equação da sustentabilidade. E, por isso, importa pensar em estratégias que nos permitam aproveitar todo o produto dentro do prazo de validade (ou estaremos a desperdiçar todos os recursos utilizados durante a produção), garantir uma boa utilização do produto (se não gostamos de bálsamos labiais em caixa e preferimos em tubo, a caixa até pode ser reutilizável, mas poderá ser má ideia se vão acabar por não usar o produto porque não se adaptam à utilização!) e, finalmente, encaminhar a embalagem para reciclagem.

Existem duas óptimas estratégias (que parecem antagónicas) para sermos mais sustentáveis nas nossas escolhas de produtos cosméticos: as amostras, os tamanhos de viagem e os packs familiares.

Mas as amostras não levam demasiado embalamento para o tamanho do produto? E não são demasiado difíceis de reciclar?

Sim e sim. O ideal seria, antes de decidirmos comprar um produto, aconselharmo-nos com um especialista e experimentar o produto diretamente de um 'tester'. Mas estamos numa altura complicada para partilha de produtos em loja e, por esse motivo, acho que as amostras podem agora fazer mais sentido.

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Se não sabemos se o produto é aquilo de que necessitamos, temos mesmo de o experimentar. Experimentar duas ou três amostras pode evitar comprar um produto que acabamos por não utilizar e que apenas resulta em mais desperdício. A ideia não é andar a viver de amostra em amostra. É experimentar dentro de opções que nos pareçam indicadas e, quando descobrirmos o produto certo, comprar o mesmo.

E depois compramos em tamanho o maior possível, certo?

Bom... não necessariamente.

Seguindo a mesma lógica de desperdício de produto, é importante olhar para o prazo de validade após abertura (um símbolo com um boião com caixa aberta, que tem indicados os meses de validade), pensar na quantidade de produto que vamos aplicar e tentar perceber para quanto tempo de utilização racional nos dará essa embalagem.

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Muitas marcas já fazem este “trabalho” por nós. É por esse motivo, por exemplo, que séruns de olhos são mais pequenos do que séruns de rosto ou cremes corporais. No entanto, embora muitas marcas tenham esta consciência, a verdade é que o marketing influencia hábitos de compra. Se virmos dois cremes iguais, de tamanho diferente, devido ao facto de o embalamento ser caro, é provável que o preço por mililitro do creme maior saia mais barato. Isto impele o consumidor a comprar.

As marcas sabem e posicionam-se de acordo com estes hábitos, para conseguirem vender. Mas cabe-nos a nós sermos responsáveis neste momento e percebermos que, embora o preço por mililitro possa ser mais baixo nas embalagens maiores, se acabar por não utilizar metade do produto o valor total daquele creme vai sair mais elevado do que se tivesse comprado o pequeno. Parece uma lógica simples, mas na altura da compra as emoções apoderam-se de nós e fazemos tudo menos aquisições lógicas!

Então, nesse caso... não devemos comprar embalagens maiores?

Devemos, sim, mas apenas se conseguirmos usar o produto. Comprar embalagens maiores tem algumas vantagens, nomeadamente na facilidade de triagem para reciclagem e no facto de um produto com o dobro do tamanho não precisar necessariamente do dobro da embalagem. Pensem, por exemplo, que os doseadores têm todos mais ou menos o mesmo tamanho, independentemente da embalagem ser maior ou menor. No entanto, comprar embalagens maiores para depois desperdiçar produto não é uma opção sustentável.

O que aconselho, então: se conseguirem optar por produtos multifunções (um óleo para corpo e cabelo, por exemplo) ou se conseguirem partilhar o produto com mais alguém (os cremes de corpo, gel de banho e champôs facilmente podem ser utilizados por toda a família), então escolham embalagens grandes.

Por ordem, de modo a sermos consumidores mais conscientes, podemos então:

  • Fazer bom uso das amostras, de modo a selecionar os produtos adequados para nós.
  • Escolher embalagens / tamanhos de produto que nos permitam utilizar tudo, sem desperdiçar.
  • Caso seja viável optar por uma embalagem maior (mais fácil de reciclar), optar por fazê-lo.

A sustentabilidade é um tema muito complexo, mas existem estas pequenas estratégias que, não alterando drasticamente os nossos hábitos, podem fazer toda a diferença. Não custa mesmo nada. Convenço-vos a tentar?

Catarina Barreiros formou-se em Arquitetura, foi stylist de moda, tirou um Mestrado em Gestão, trabalhou em Marketing Digital e, no meio de voltas e contravoltas, descobriu na sustentabilidade a base da sua vida, primeiro privada e depois profissional. No projeto "Do Zero", explora a temática a fundo e encontra respostas para perguntas que não sabia existirem... será que precisamos mesmo de usar papel higiénico?

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