Só quando enfrentamos os espelhos do ginásio pela primeira vez, vestidas no outfit que compramos como forma de encorajar aquele primeiro (e geralmente trágico) dia de exercício, é que nos apercebemos de que o top e os leggings coloridos não realçam o nosso corpo da mesma forma que realçavam o da manequim ultra tonificada da loja.

Claro que, ilusões à parte, ninguém espera outro resultado que não a realidade quando se olha ao espelho do quarto ou do ginásio - mas este é muitas vezes o primeiro momento em que nos apercebemos de que existe uma parede que separa dois corpos, muito diferentes, vestidos com roupas idênticas. E se por vezes isso nos faz sentir motivadas - "agora que tenho o mesmo outfit, só falta conseguir o mesmo corpo tonificado" -, noutras situações pode fazer-nos perguntar "afinal, o que estou aqui a fazer? Serão estes a roupa e o sítio certos para um corpo como o meu?".

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São situações como esta que levam muitas marcas a promoverem imagens que representam inclusão e body positivity, com o objectivo de fazerem com que todos os corpos, sejam eles como forem, se sintam aceites e bem-vindos. Um exemplo recente disso foi a Nike, que decidiu expor um manequim plus-size na sua principal loja em Oxford Street, Londres.

O manequim em questão esteve exposto ao lado de outros que respeitam cânones mais tradicionais, todos vestidos com roupas de desporto da marca. O objectivo, segundo Sarah Hannah (vice-presidente da linha feminina para os mercados europeu, africano e do Médio Oriente), era demonstrar "o compromisso da Nike em inspirar e servir as mulheres atletas”.

Mas perante a apresentação de um manequim com medidas que ainda se veem muito pouco expostas em lojas, parte da Internet ficou impressionada pela positiva, enquanto outras respostas foram mais críticas.

Tanya Gold, cronista no The Telegraph, declarou que a "guerra contra a obesidade" está perdida, e que "o novo manequim é obeso e não se está a preparar para correr no seu impecável equipamento Nike. Ela não consegue correr. Ela está mais para pré-diabética e a caminho de uma operação à anca."

Se houve quem concordasse com Gold e defendesse que este manequim é mais um passo para encorajar a obesidade, muitos cibernautas indignados chamaram a este um caso de fatphobia, garantindo que ninguém tem o direito de julgar a saúde de alguém, baseando-se apenas nas dimensões do seu corpo. Outras pessoas diabéticas juntaram-se à discussão, frustradas com o preconceito de que todos os diabéticos têm um determinado tamanho, ou certos hábitos alimentares.

Houve ainda quem acrescentasse que esta representação é uma óptima forma de encorajar pessoas de todos os tamanhos a praticarem exercício físico, uma vez que a roupa de fitness é geralmente vestida por manequins mega tonificados com os quais apenas uma minoria se identifica - quando tantas pessoas não se parecem (nem querem parecer) assim. Outras mulheres explicaram que também elas, que praticam exercício regularmente, mantêm um peso acima da média, e merecem ser representadas.

Algumas celebridades também se manifestaram contra o artigo, como Jameela Jamil que disse que "se te preocupas com mulheres, é bom que te preocupes com mulheres gordas também".

Outras mulheres usaram o Instagram para provar à jornalista que corpos plus-size também podem ser atléticos e fortes.

"Porque é que é ok humilhar mulheres plus-size que querem ser mais activas e fit. Que querem fazer exercício, que querem usar uma marca conhecida. A Nike simplesmente tornou mais acessível e "normal" para qualquer mulher que quiser comprar uns leggings e ir correr. Todos devíamos celebrar a inclusividade que a Nike está a promover!", escreveu Louise Duneclift.

Jessica Lever partilhou: "Hoje nadei 500m numa reserva gelada e adorei! A única coisa que tornou o processo difícil foi o meu fato (o maior que podia encontrar para mulher) a apertar-me o pescoço. Tive a mesma experiência quando procurei roupas de fitness para treinar para uma maratona, e o que faz tudo ainda mais frustrante são artigos horríveis como este do The Telegraph, contra a decisão da Nike de expor manequins mais realistas para usarem os tamanhos mais realistas das suas peças de sportswear. Como é que esperam que fiquemos fit e saudáveis se nem podemos comprar roupas para fazer exercício?"

Entretanto, várias mulheres plus-size começaram a partilhar fotografias suas, numa pose semelhante à do manequim.

A prática do exercício físico nunca foi tão promovida como é nos dias de hoje, e a representação de todos os tipos de corpos (sejam eles a realidade de atletas, da miúda que vemos sempre na aula de zumba, ou de quem ainda está à procura da coragem para finalmente vestir o equipamento e abraçar um estilo de vida mais saudável) é bonita, é bem-vinda e é necessária.

Seja ela resultado de uma preocupação sincera ou apenas uma estratégia de marketing bem pensada, a verdade é que esta decisão da Nike veio incentivar muitas mulheres plus-size a serem mais saudáveis, sem terem necessariamente de olhar para o tradicional corpo magro e tonificado como o end goal. Veio dizer-lhes que são não só aceites, mas celebradas em todas as fases do processo que as transforma em versões mais felizes e saudáveis delas mesmas.

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