E, de repente, o mundo despertou para a importância da máscara. Eu não fui excepção. Assim que me vi aborrecido em casa, decidi aventurar o meu tempo em frente ao espelho e besuntar o rosto com duas pomadas muito improváveis. Se pensaram que me referia às outras máscaras, muito se enganam! Essas também, mas não há muito a dizer, ou há?

Falaram-me de um truque que deixa a pele incrível: fazer uma máscara com Halibut e Bepanthene. São pomadas extremamente reparadoras, o que me fez logo pensar que só podiam fazer muito bem. Uma é usada muito frequentemente nas assaduras dos bebés e a outra até a usei recentemente para curar uma queimadura de terceiro grau. Por mais reparada que possa estar uma pele, nunca é demais dar-lhe mais reparo, não é verdade? Então se andamos numa corrida contra o tempo, como eu, o ideal é estar em estado de reparação a toda a hora! Pus então mãos à obra.

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Depois de fazer a limpeza da pele, misturei na palma da mão, com os dedos, duas partes iguais de cada pomada, de forma a ficar uma mistura homogénea. Se tiverem paciência, podem usar uma pequena taça e uma colher de café para fundir as duas. Apliquei então até ficar com uma camada grossa espalhada por todo o rosto. Deixei ficar uns 20 minutos e depois tirei com papel higiénico (rodelas de algodão são coisas que ainda não entraram na minha rotina de compras). Entretanto, não fiz mais nada e deixei que a pele absorvesse a leve camada que ficou. Depois de ter feito este ritual umas três vezes, tive que admitir que talvez não fosse o ideal para o meu tipo de pele. Para uma pele seca talvez resulte muito bem, mas em mim, com uma pele mista, muito oleosa na zona T, sinto que até me pode ter obstruído os poros. Uma pena, porque tinha achado esta combinação uma descoberta maravilhosa.

Mas tive tempo para testar outras máscaras. A La Roche Posay, com uma oferta muito direcionada para peles sensíveis (que é também o meu caso), tem a máscara Hydraphase Intense. Tal como a mistura improvável das pomadas, é bastante prazerosa a sensação de quando se espalha no rosto. Mas mais uma vez constatei que não era a melhor opção para a minha pele. É que, apesar de a sentir estar hidratada quando toco nela, é como se ficasse com uma camada muito fina de gordura. E a ideia é ficar com uma pele melhor do que estava, certo? O que vale é que numa quarentena há tempo para tudo, e no meio destas duas experiências houve espaço para mais duas.

Quando preparava a mistura improvável, percebi que a Halibut era muito mais densa e seca do que a Bepanthene, esta muito mais oleosa. Então por que não experimentar só a Halibut? Com receio do resultado que tive na primeira vez, decidi usá-la só como creme de rosto. Então pus pouca quantidade e espalhei. A pele ficou um pouco esbranquiçada, mas quis deixar assim e fui dormir. E não é que deu certo? No dia seguinte, tinha a pele nitidamente mais calma, a inflamação rosada que tenho ao lado do nariz por causa da minha dermatite seborreica tinha desaparecido, e todo o rosto estava imaculado! Adorei e vou fazer isto mais vezes. Só gostava de encontrar no mercado a mesma coisa, mas sem óleo de fígado de bacalhau nos ingredientes... é que... beeehh!

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Nas poucas vezes em que fui às compras, houve outras poucas que fui ao Celeiro, e numa delas o olhar desviou-se para os produtos de beleza. Acho que sair de casa só para ir aos supermercados tornou-me o olhar mais clínico. Como não tenho mais nada para ver, aproveito e dou uma olhadela em tudo! A vocês não acontece o mesmo? Encontrei umas saquetas com máscaras à base de argila e escolhi uma mais indicada para acalmar a pele. E foi remédio santo. É de uma marca de cosmética biológica, a Cattier, e na mistura, além da argila, também tem aloé vera. A pele ficou bastante suave e hidratada.

Brincar às máscaras tem destas coisas. Entramos no baile, experimentamos dez, mas só nos satisfazem umas três. E nos bailes, como na vida, não nos servem as que queremos. Servem-nos as que foram feitas para nós. Sejam de argila ou de óleo de fígado de bacalhau… beeehh!

Bruno Reis, colaborador da Miranda, é o fundador e diretor criativo da Teeorema, marca de T-shirts de luxo.

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