A pressão da sociedade contemporânea, frequentemente caracterizada pela busca incessante do sucesso, a constante exposição às redes sociais e a competitividade exacerbada, contribuem para o aumento dos casos de stress, ansiedade e depressão. Nesse contexto, investir na saúde mental não é apenas uma opção, mas uma necessidade premente.

A consciência sobre a saúde mental tem evoluído, mas ainda há estigmas que envolvem as doenças psicológicas. Reconhecer que a saúde mental é parte integrante da saúde global é o primeiro passo para promover mudanças positivas. Trata-se de um aspeto que abrange a capacidade de lidar com as emoções, relacionar-se com os outros, adaptar-se às adversidades e tomar decisões assertivas.

O ambiente de trabalho, por exemplo, desempenha um papel significativo na saúde mental dos indivíduos. Cargas excessivas de trabalho, prazos apertados e ambientes tóxicos, podem contribuir para o surgimento de problemas psicológicos. Empresas conscientes têm adotado medidas para promover um ambiente mais saudável, implementando práticas como a flexibilidade no horário, o apoio psicológico e programas de bem-estar.

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As redes sociais, embora proporcionem conexão instantânea, também podem ser um gatilho para problemas de saúde mental. A comparação constante, o culto da perfeição e a busca por validação online, podem levar a uma autoimagem distorcida e impactar negativamente a auto-estima. É, mais do que nunca, essencial promover o uso consciente das redes sociais e incentivar a aceitação de si mesmo.

A pandemia de COVID-19 trouxe à tona uma nova dimensão dos desafios relacionados com a saúde mental. O isolamento social, a incerteza económica e a ameaça à saúde física, intensificaram os níveis de stress e de pressão psicológica em muitas pessoas. O reconhecimento da importância da saúde mental ganhou destaque, levando a um aumento na procura por terapias online, programas de mindfulness e outras ferramentas que visam o cuidado psicológico. Mas nem sempre é suficiente.

Segundo uma estimativa da Organização Mundial de Saúde, prevê-se que cerca de 57 mil pessoas já tenham posto fim à vida neste primeiro mês do ano. Números negros, que revelam que por cada pessoa que se suicida, há cerca de 20 tentativas falhadas, ou que para 2024 se prevê que o número final ultrapasse os 900 mil suicídios.

Um estudo nacional, datado de 2013, realizado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa – Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental – revelou, muito antes da pandemia de COVID-19, que um em cada cinco dos portugueses que fez parte da amostra sofria de algum tipo de doença mental ou perturbação psiquiátrica, colocando Portugal no topo da tabela europeia, só sendo ultrapassado pela Irlanda do Norte.

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Mais recente e pós pandemia, o Estudo Saúde Mental em Tempos de Pandemia, realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, em colaboração com o Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e com a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, mostrou como a pandemia deixou as suas marcas na saúde mental dos portugueses. Sintomas como ansiedade ou depressão, afetavam cerca de 26% dos entrevistados, assim como sintomas de stress pós-traumático, ou sinais de sofrimento psicológico (34%), inclusive entre os profissionais de saúde.

É fundamental que as instituições de saúde, educacionais e governamentais, promovam políticas eficazes de saúde mental. Isso envolve a disponibilidade de serviços acessíveis, campanhas de consciencialização e integração de práticas de autocuidado nas rotinas diárias. Além disso, é crucial que a sociedade como um todo se una para combater o estigma associado às questões da saúde mental, criando um ambiente de compreensão e apoio mútuo.

A importância da saúde mental nos tempos atuais não pode ser subestimada. É uma dimensão intrínseca à nossa existência e está diretamente ligada ao nosso desempenho, relacionamentos e qualidade de vida. Investir na saúde mental não é apenas uma atitude benevolente, mas uma necessidade para construir uma sociedade mais equilibrada e compassiva, onde cada indivíduo possa prosperar plenamente.

Mafalda Santos fez das palavras profissão, tendo passado pelo jornalismo, assessoria de imprensa, marketing e media relations. Acredita em quebrar tabus e na educação para a diferença, temas que aborda duas vezes por mês, na Miranda, em #ÀFlorDaPele.

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