Uma série de variáveis, independentes da alimentação, ​​pode afetar a perda de peso, a nossa performance e a saúde em geral. O ambiente que nos rodeia, disruptores endócrinos, deficiências nutricionais, desequilíbrios hormonais, estado emocional, trabalho e desequilíbrios do sono, são apenas alguns. E, é claro, ainda temos a genética para lidar. Será que tem de ser assim tão complicado?

A boa notícia é que podemos controlar esses fatores, pelo menos na maior parte. Para realmente entendermos o que precisamos de corrigir, primeiro temos de saber o que está realmente a acontecer para além da "superfície".

Responder às perguntas certas

O nosso metabolismo é simplesmente a maneira como o nosso corpo obtém energia dos alimentos e a utiliza. Parece simples, mas afeta tudo: desde a fertilidade ao humor, os níveis de energia, a disposição da gordura corporal, e a facilidade de ganharmos ou perdermos peso.

Qual é o estado do nosso metabolismo? Há vários perfis hormonais que nos ajudam, como o estudo da resistência insulínica, os perfis das hormonas sexuais ou a medição dos níveis de DHEA (o precursor da hormona que determina a nossa resiliência e resposta ao stress) e de cortisol (a "hormona do stress"). O stress pode ser o começo de muitos dos problemas de saúde.

Os resultados destes testes, combinados com um estudo bioquímico completo de sangue, podem fornecer uma imagem muito precisa dos nossos pontos fortes e fracos, e o que podemos fazer para ficarmos saudáveis e, sim, perdermos peso.

Gostaria de vos poder dizer que tenho um programa secreto fabuloso, mas realmente não tenho. É a Medicina de Sistemas: medicina individualizada e personalizada, onde procuramos os desequilíbrios que nos impedem de sermos e de nos sentirmos realmente saudáveis. Geralmente investigam-se alergias, intolerâncias e sensibilidades alimentares.

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Podemos fazer isso através de testes de laboratório e/ou através de uma dieta de eliminação. Em seguida, devemos fazer uma investigação laboratorial completa, onde se procura identificar insuficiências nutricionais, problemas intestinais, desequilíbrios hormonais (incluindo insulina, tiróide e hormonas sexuais) e marcadores de inflamação, conforme necessário.

Com esse conjunto de informações, podemos projetar um plano individualizado.

Então e aqueles suplementos sexy que nos fazem perder peso?

Se uma pessoa realmente demonstrar em testes de laboratório que PRECISA de determinados nutrientes, aí sim, suplementamos. Mas se a pessoa não precisar de todos esses diferentes nutrientes para perda de peso, empilhados em muitos desses produtos de emagrecimento, a ingestão provavelmente produzirá apenas urina realmente cara e sem perda de peso. Ups...

As dietas e o verão

Seguir uma dieta saudável não significa que precisem de ficar sem férias quando se trata do verão! Existem muitos planos alimentares, como uma dieta low-carb, anti-inflamatória, sem glúten, sem laticínios, e como a dieta da eliminação. Mas não deixem que isso vos engane, eles podem ser absolutamente deliciosos!

Vamos a umas dicas:

  • sabiam que comer 1/3 de um abacate com um hamburguer (feito em casa!) pode realmente reverter a inflamação que normalmente é promovida ao comê-lo sozinho?
  • adicionar uma mistura de especiarias antioxidantes – como cravo, canela, orégãos, alecrim, gengibre, pimenta preta, paprica e alho em pó – à mistura do hamburguer, reduz drasticamente a quantidade de certos compostos relacionados com doenças cardíacas e cancro.

Estas são apenas algumas maneiras de combinar alimentos para criarmos um efeito anti-inflamatório e antioxidante geral.

Combinem nos vossos pratos uma abundância de alimentos antioxidantes e anti-inflamatórios, como vegetais, especiarias e ervas coloridas, e vão transformar a vossa refeição num banquete para a saúde! Façam sobremesas decadentes, das quais não precisam de se sentir culpados. Procurem receitas com cacau, abacate, chocolate negro, tâmaras, frutos vermelhos...

O plano da longevidade – o próximo passo no jejum intermitente

E para quem precisa de um programa médico de perda de peso, existem várias opções. Um dos meus favoritos é um programa de refeições de cinco dias, desenvolvido pelo Professor Valter D. Longo, um plano sem glúten nem laticínios, que visa melhorar a nossa saúde e longevidade. As propriedades das misturas de ingredientes foram clinicamente desenvolvidas para colocarem o nosso corpo num estado de jejum, o que provocará a perda de peso e trará todos os benefícios de saúde do jejum, mas sem os riscos e o desconforto da fome. Basicamente, induzimos o nosso metabolismo a um estado de jejum... enquanto comemos.

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Os benefícios deste programa de longevidade incluem uma maior clareza mental, memória e humor, potencialmente afastando doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson; benefícios anti-envelhecimento (por exemplo, rejuvenescimento da pele, atrasando o envelhecimento e prolongando a longevidade), reduzindo a inflamação, controlando os níveis de açúcar no sangue e melhorando a saúde cardiovascular; redução da pressão arterial e dos níveis de colesterol. Vários são os estudos que o documentam: leiam aqui, aqui, aqui e aqui.

Sim, não se trata de apenas mais uma dieta. Em termos práticos, ensinamos o nosso corpo a ativar a capacidade adormecida de se proteger, reparar e rejuvenescer. E ainda perdemos aqueles quilos teimosos.

Mas falando da felicidade depois do confinamento

As nossas emoções mexem com o nosso metabolismo, ponto. Se aprendermos a gerir o nosso stress e a vivermos felizes, damos essa informação às nossas células. Os níveis de cortisol baixam, o nosso metabolismo regula e as nossas hormonas reequilibram.

Um novo estudo publicado a 18 de maio na revista 'Nature Neuroscience' revelou uma ligação entre o ambiente físico que nos rodeia e o quão felizes nos sentimos. Os autores dizem que nos "sentimos mais felizes quando temos variedade na nossa rotina diária e, por sua vez, temos mais possibilidades de procurarmos novas experiências quando estamos com um humor mais positivo".

Todos reconhecemos que pode ser difícil colocar estas informações em ação durante uma pandemia e pós-pandemia COVID-19, quando as pessoas devem ficar em casa a maior parte do tempo e com todas as limitações dos próximos tempos.

Mas as pesquisas confirmam! Novas experiências diferentes de como vivemos a nossa rotina podem levar a uma maior felicidade. Então a pergunta que se coloca nos dias de hoje é...

Como vamos escolher viver?

Fazermos uma escolha para vivermos saudáveis e realmente comprometidos com a nossa saúde é vital para a longevidade e qualidade da nossa vida, e até mesmo das pessoas ao nosso redor. Estão a fazer a escolha consciente de moverem o vosso corpo diariamente pelo menos 30 minutos por dia? Escolhem reservar um tempo para cozinhar a vossa comida em casa e fazerem o caminho a pé ou de bicicleta de casa para o trabalho?

Conveniência quase nunca é sinónimo de facilidade. Definam metas, façam planos e acompanhem os vossos resultados. Quando o nosso corpo está saudável, a nossa mente transforma-se. Devemos estar sincronizados connosco mesmos, tanto mental quanto fisicamente.

Lembrem-se: a nossa atitude é a única coisa sobre a qual temos total controlo. O que podemos aprender com este isolamento e com o distanciamento físico, para nos sentirmos mais otimistas?

Lutar contra o medo com factos

Vamos ver a realidade. No final do dia, a COVID-19 apresenta uma oportunidade para fazermos um balanço da nossa saúde, identificar as nossas vulnerabilidades e trabalhar para as minimizar. Devemos ver este momento como uma oportunidade para pensarmos com cuidado na nossa mobilidade entre o trabalho e casa, e como devemos continuar a proteger os nossos membros mais vulneráveis da família.

Mas também é o momento de respirarmos fundo e lembrarmo-nos que, mesmo sendo um vírus novo, já vimos antes vários tipos de desagradáveis vírus altamente contagiosos.

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Por isso, respirem fundo, mantenham as medidas de segurança, retomem aos poucos a vida normal e invistam tempo numa vida saudável, recheada de alimentos coloridos e cheios de anti-oxidantes; tempo da vossa rotina diária em exercício físico, tirem as saudades dos amigos e apliquem a lista das mudanças de vida pós-COVID (para quem não fez, ainda vai a tempo...).

E agora para os mais curiosos: diz-se “a” COVID-19 ou “o” COVID-19? Qual o correto? A palavra COVID-19 é masculina ou feminina? Confesso que ao início também tive esta dúvida. Em português, segundo o Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa, da Porto Editora, é uma palavra feminina formada pelo anagrama em inglês (CO–corona; VI–virus; D–disease; 2019–ano em que foi identificado o primeiro surto) e designa uma doença.

Mas, linguística e pandemia à parte, que venham os novos tempos e o verão! Sejam felizes nestes maravilhosos dias de sol (bem o merecemos!), mas com respeito por todos e com os cuidados que já sabem. Stay safe!

Dra Andreia de Almeida é médica certificada em Medicina Funcional e Medicina Anti-Aging, com treino especializado em Modulação Hormonal e suplementação avançada. Conhecida pela sua abordagem empoderadora e focada na pessoa, através da sua prática clínica procura inspirar as pessoas a encontrarem o equilíbrio, bem-estar e felicidade interior.

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