Chama-se Sania Jelik e luta contra o idadismo. A sua forma de expressão? Viajar sozinha pelo mundo, registando a sua jornada e mostrando que uma mulher com mais de 60 anos pode viajar sozinha, retirando dessa experiência o mesmo prazer que uma pessoa com mais de metade da sua idade.

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No dia em que se reformou e lhe disseram “Agora tens mais tempo para viajar”, Sania Jalik, espanhola de origem croata, que trabalhou como diretora do Gabinete de Turismo da Croácia em Espanha, estava longe de imaginar que levaria a frase tão à letra. Foi o gatilho que lhe serviu de impulso para embarcar numa solitária viagem de cinco meses pela América do Sul e Central, iniciando a sua luta contra o envelhecimento e desmistificando a ideia de que, com a sua idade, não se viaja sozinho.

Sania passou por países como Brasil, Argentina, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Costa Rica, Guatemala e Belize, percorrendo centenas de quilómetros de diversas formas: avião, barco, canoa, comboio, autocarro, mota, minibus, jangada, cavalo, parapente ou, simplesmente, a pé – ao ponto de gastar as suas botas de viagem, que já não regressaram, e registando tudo nas redes sociais, onde foi ganhando seguidores de todo o mundo.

Já a preparar a sua próxima viagem a solo, em 2024, desta vez a África, Sania sempre viajou ao longo da sua vida, mas por períodos mais curtos, devido aos seus compromissos sociais e profissionais. Foi apenas quando se reformou que teve o tempo e a disponibilidade de fazer disso um estilo de vida, mas por uma causa e com uma mensagem muito bem definida: a de chamar a atenção dos agentes de viagens e dos órgãos de comunicação social para a questão do idadismo, onde o  tema de se viajar sozinho na chamada “terceira idade” também consegue ser um tabu ou alvo de preconceito, demonstrando às pessoas da sua geração, assim como aos jovens e a todos os que virão depois dela, que sim, é possível!

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A vida não acaba no dia em que nos reformamos. Há menos encargos profissionais, familiares e sociais, e a liberdade que vem com a reforma consegue ser avassaladora”, refere. Num post do seu Instagram podemos ler a seguinte mensagem: “Quanto mais velha fico, mais claramente vejo as minhas prioridades e menos paciência tenho para disparates. Reconheço que o tempo é finito e quero saborear cada momento. Ainda tenho coisas para fazer (já vão ver 😃😂) e sítios para visitar. Também quero continuar a dar visibilidade às pessoas da minha idade, especialmente às mulheres, que se tornam totalmente invisíveis depois dos 65 anos. Segundo estudos, há uma discrepância entre a idade cronológica e a idade mental, que pode chegar a mais de 10 anos, e uma pessoa de 65 anos sente-se mentalmente como uma de 45 ou 50 ou 55. É por isso que considero necessário continuar a publicar o que faço. Para dar visibilidade às pessoas mais velhas e para mostrar que ‘Se eu posso, tu também podes!’”.

Sania deixa também conselhos às mulheres mais jovens que um dia desejem fazer o mesmo, dizendo que é fundamental que ao longo da vida tenham a preocupação de ter hábitos saudáveis, para que se sintam fortes, tanto física como mentalmente. Recordando ainda que é necessário que se mude a forma como a sociedade trata e se refere aos mais velhos, mudando a perceção das pessoas idosas, respeitando-as pelo que são e não as fazendo sentir mais velhas ou um peso, referindo que não aceita que a estigmatizem. Na sua luta contra o idadismo, e uma vez que a sua carreira profissional sempre esteve ligada ao turismo, Sania questiona ainda as agências de viagens e de turismo, o motivo de não se ver com mais frequência fotografias de pessoas com mais de 60 anos nos seus catálogos e pacotes de viagens ou redes sociais, aconselhando-os a terem pessoas como ela, que funcionem como conselheiros seniores, ajudando a planear atividades para este segmento de população.

Ao longo da sua viagem inaugural, onde teve a oportunidade de percorrer o Amazonas, ou de se emocionar com os fiordes chilenos, Sania desafiou o estigma do que uma pessoa reformada pode fazer. Foram cinco meses em que documentou esta sua jornada nas suas redes sociais e canal de YouTube, onde se pode assistir a diversos vídeos das suas atividades, destinos e entrevistas a mulheres ligadas a projetos de ajuda, solidariedade e emancipação feminina, que Sania ajudou a divulgar através da sua iniciativa Silver Traveler Project.

Um exemplo de força e de coragem, numa viagem que teve tanto de solitário quanto de transformador, onde mostrou que é possível dar o salto e descobrir o mundo – mesmo numa fase mais tardia da vida – e ser assoberbada pelo mesmo deslumbramento, medos e desafios de quando se tem 20 anos, mas não deixar que isso seja o mote que nos impede de avançar.

O importante, afirma, “é que não se acomodem”. Exemplo disso é o facto de já se encontrar a preparar a sua próxima viagem, em 2024, a África, ou em 2025, à Polinésia.

Mafalda Santos fez das palavras profissão, tendo passado pelo jornalismo, assessoria de imprensa, marketing e media relations. Acredita em quebrar tabus e na educação para a diferença, temas que aborda duas vezes por mês, na Miranda, em #ÀFlorDaPele.

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