Triste? Não consegue encontrar energia para sair do sofá? Dificuldades em concentrar-se? Pode presumir que é depressão e, se falar sobre dessas preocupações com o seu médico, provavelmente poderá sair com uma receita de antidepressivos. Mas e se não for realmente depressão? E se os seus sintomas forem devidos a outra coisa – algo que os antidepressivos não ajudam? Sabia que os desequilíbrios hormonais podem levar a muitos sintomas de depressão?

Os desequilíbrios hormonais são um dos principais contribuintes para os transtornos de humor. Nós, mulheres, passamos por muitas flutuações hormonais nas nossas vidas, principalmente durante a puberdade, gravidez, período pós-parto e menopausa. É fácil entender que essas flutuações, possivelmente levando a desequilíbrios, podem contribuir para alterações no humor ou depressão.

Quais os sintomas da depressão?

Costumam ser difíceis de detetar, mas é importante estarmos atentos a esses sintomas, quer em nós, quer em qualquer pessoa que sinta que possa estar a lutar para lidar com isso.

Os sintomas incluem:

  • humor deprimido durando mais de duas semanas
  • sentir inquietação ou agitação
  • fadiga ou perda de energia
  • sentir-se inútil
  • ansiedade
  • culpa
  • diminuição do interesse ou prazer nas atividades favoritas
  • perda de apetite ou aumento do apetite
  • insónia ou sonolência diurna
  • diminuição da concentração
  • pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.
Quais os tipos de depressão?

Parte do problema em responder a esta pergunta é que existem vários “tipos” diferentes de depressão. O que atualmente chamamos de depressão são provavelmente várias doenças diferentes, ou partes quebradas, que levam à síndrome que chamamos de "depressão". As mudanças hormonais podem ser um fator importante na doença de uma mulher, mas não na de outra. E sim, os homens também podem ter alterações hormonais, como o défice de progesterona.

Alguns investigadores identificam determinados subgrupos de mulheres que são particularmente sensíveis a momentos de oscilações hormonais. Essas mudanças hormonais, por si mesmas, desencadeiam diretamente mudanças no humor e, consequentemente, maior risco de depressão nessas mulheres mais suscetíveis.

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Uma abordagem médica funcional é o meu trabalho, ou seja, identificar a biologia por trás dessas mudanças de humor para entender melhor quais as “partes quebradas” e em desequilíbrio para cada “tipo” de depressão. É improvável que as flutuações hormonais sejam as únicas culpadas em todas as pessoas que desenvolvem depressão em momentos de mudança hormonal, mas devemos estudar e perceber qual a verdadeira causa-raiz.

Progesterona: a hormona natural da felicidade

Adoro falar sobre a progesterona! É uma das minhas hormonas favoritas! Trata-se de uma hormona poderosa, que pode ajudar a melhorar o nosso humor. Atua como um antidepressivo natural para diminuir a ansiedade, ajudar nas mudanças de humor, e pode até ajudar no alívio da depressão pós-parto.

Sintomas comuns de baixa progesterona:

  • ansiedade ou depressão
  • síndrome pré-menstrual (SPM)
  • dores de cabeça pré-menstruais
  • depressão pós-parto
  • dificuldade em dormir
  • mamas fibroquísticas
  • perda óssea.

Mas, para além de ser uma hormona importante no ciclo menstrual da mulher, afeta também o nosso cérebro das seguintes maneiras:

  • suporta o GABA, o neurotransmissor que ajuda o cérebro a relaxar
  • protege os nervos
  • suporta a mielina que "isola" e protege os neurónios.

Quando a progesterona está em equilíbrio com o estrogénio, ela acalma-o, trazendo uma sensação de paz e uma ação promotora do sono. Mas quando estão desequilibrados (em muitos casos, numa dominância estrogénica), a sensação de calma pode dar lugar a irritabilidade, ansiedade, depressão, noites sem dormir e “névoa” do cérebro.

A progesterona promove o bom humor, ao aumentar a serotonina e o GABA, que atuam para diminuir a irritabilidade, acalmar a ansiedade e dissipar o pânico. Facilita o sono REM, repousante e revigorante, e proporciona menos despertares, com a indução de um sono profundo. Daí que os baixos níveis de progesterona durante a perimenopausa e menopausa diminuem a serotonina, resultando num sono insatisfatório e em depressão.

Em mulheres jovens, quando a progesterona e o estrogénio estão em desequilíbrio um pouco antes do início da menstruação, o bom humor sai pela janela (homens, eu compreendo-vos...). Mas a culpa é mesmo das hormonas... é o momento ideal para oferecerem flores.

Quando os antidepressivos não funcionam

Havendo desequilíbrios hormonais por trás dos sentimentos de tristeza e perda de energia, os antidepressivos não acertam na nossa mente, nem nas nossas emoções. Mas se ninguém testar esses níveis hormonais, nunca poderemos saber se a disfunção hormonal pode estar a contribuir para os sintomas depressivos. Isso pode fazer com que vá de um medicamento antidepressivo para outro, em busca de alívio, mas sem sucesso.

Os métodos contracetivos podem ser causa de depressão?

Várias mulheres têm relatado aos seus médicos que desde o uso de algum tipo de método contracetivo (pílula, adesivo, anel, implante, injeção ou DIU) começaram a sentir-se deprimidas. Apesar de muitos dos estudos não demonstrarem claramente uma associação definitiva (muitos por serem de baixa qualidade), foi realizado um deles em mais de 1 milhão de mulheres dinamarquesas, com idades entre os 15 e os 34 anos, que demonstrou que há um risco aumentado de depressão associado a todos os tipos de contraceção hormonal.

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Apesar de ser um risco pequeno, ele é real! Era maior em adolescentes dos 15 aos 19 anos, especialmente para formas não orais de controlo de natalidade, como o anel vaginal, o adesivo e o DIU com hormona. Aqui a questão é: devemos parar de prescrever anticoncecionais hormonais? Depende. Mas... é importante avaliar que o risco de depressão aumenta entre as mulheres que usam formas hormonais contracetivas. Como médicos, precisamos estar cientes e discutir essa possibilidade com todas as pacientes.

As dicas para dizer adeus à depressão

O que comemos e as escolhas que fazemos têm um impacto direto na maneira como nos sentimos. Algumas pequenas dicas podem fazer toda a diferença:

  1. Cortar a cafeína, o álcool, o açúcar e hidratos de carbono refinados, pode ajudar a melhorar os sintomas de depressão.
  2. Aumentar as vitaminas B – deficiências de vitaminas B, como o ácido fólico e B-12, podem desencadear depressão. Para aumentar os níveis, devemos optar por frutas cítricas, verduras, feijão, frango e ovos. A vitamina B-6, juntamente com o cálcio, o magnésio, a vitamina E e o triptofano, mostraram benefícios para as mulheres que sofrem de síndrome disfórico pré-menstrual.
  3. Alimentos ricos em ácidos gordos ómega-3 desempenham um papel essencial na estabilização do humor. As melhores fontes são peixes gordos, como o salmão, arenque, cavala, anchovas, sardinhas e atum, ou opções vegetarianas, como algas, linhaça e nozes.
  4. Corrigir o ferro para o nível ótimo. Baixos níveis de ferro podem produzir sintomas comuns de depressão, como irritabilidade, fadiga e dificuldade de concentração. Alimentos ricos em ferro, para adicionar à dieta, incluem carne vermelha, feijão, verduras e frutos secos.
  5. Adicionar suplementos como o óleo de onagra e o Vitex (chaste tree) são considerados eficazes no tratamento da síndrome pré-menstrual.
  6. Testar os níveis de progesterona: uma análise simples pode ajudar muitas mulheres (principalmente na peri e menopausa) a resolver o que muito antidepressivo ainda não conseguiu (nem vai conseguir!).
Somos seres especiais

As mulheres são claramente mais vulneráveis ​​à depressão, pelas diferentes oscilações hormonais nos diferentes momentos da sua vida, desde a adolescência, gravidez, pós-parto, fase pré-menstrual e quando entram na peri e na menopausa. Somos seres complexos e temos muitas vezes que juntar as diferentes partes “quebradas” e fragilizadas, para cicatrizar completamente.

Cada pessoa é única e individual. Como médica, devo ter a consciência que o “normal” varia de pessoa para pessoa e que a nossa missão é encontrarmos as soluções que realmente funcionam para a pessoa que naquele momento está tão frágil.

Quando reequilibramos o nosso sistema hormonal, consegue-se melhorar os sintomas da depressão ao estabilizar o humor, aumentar a energia e dissipar aquela “névoa do cérebro” que não nos deixa sentir felizes.

Como pode você saber a não ser que olhe?

A Dra Andreia de Almeida é médica certificada em Medicina Funcional e Medicina Anti-Aging, com treino especializado em Modulação Hormonal e suplementação avançada. Conhecida pela sua abordagem empoderadora e focada na pessoa, através da sua prática clínica procura inspirar as pessoas a encontrarem o equilíbrio, bem-estar e felicidade interior. É a autora de “Saúde para ELAS: o kit de sobrevivência para mulheres dos 20 aos 60+”, um livro dedicado à saúde feminina.

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