A alimentação, as combinações de alimentos e quais os melhores hábitos alimentares para a nossa saúde, sempre estiveram em debate ao longo dos tempos. Mas recentemente há um tema que tem despertado muita curiosidade e atenção por parte de investigadores, nutricionistas e população em geral: poderá o jejum intermitente ser o mais eficaz regime alimentar para o corpo humano, quer na perda de peso, quer na optimização da nossa saúde? É um tema “quente” que iremos de seguida procurar desfolhar e perceber se é ou não o mais adequado para si!

Considera-se jejum intermitente qualquer tipo de privação alimentar voluntária que altere os padrões alimentares e prolongue o jejum nocturno. Existem diversos tipos de métodos e práticas para promover o jejum intermitente, que vão da privação simples de ingestão alimentar por certo período de tempo a cada dia, a certos dias intercalados de privação alimentar, a dias de privação voluntária.

Importa referir que nenhuma destas práticas deve ser seguida por espontânea vontade e sem previamente avaliar e conhecer em detalhe o seu estado actual de saúde. Salientar também que este tipo de práticas pode colocar a sua saúde seriamente em risco se não estiverem reunidas as melhores práticas e recomendações que devem ser dadas pelo seu nutricionista de confiança.

Apesar dos riscos, este tipo de prática, se bem aplicada, parece promover efeitos positivos no nosso ritmo circadiano e níveis de energia, microbioma e flora intestinal, e parece ainda ser capaz de modificar padrões de saúde, como as horas e qualidade do sono. Também na perda de peso e redução dos níveis corporais de gordura, o jejum intermitente parece ter efeitos positivos quando associado à prática de exercício físico.

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Existem diversos padrões de recomendação acerca do Jejum Intermitente (JI). O que parece demonstrar mais consenso é o JI de 16 horas, onde durante este período do dia a ingestão calórica é reduzida a zero, e nas restantes 8 horas do dia se ingerem alimentos capazes de satisfazer as necessidades calóricas diárias. Neste tipo de padrão alimentar, a primeira refeição faz-se ao almoço e termina-se o dia alimentar com um jantar mais cedo. Depois, durante as horas de sono e durante a manhã, priva-se o corpo de qualquer alimento. Relatos de maiores níveis de energia, atenção, sono de maior qualidade e digestões facilitadas, são comuns. Mas será seguro? Importa referir que este tipo de escolha alimentar,  embora pareça trazer benefícios, nomeadamente sendo utilizado em alguns tipos de plano alimentar para doentes oncológicos, não deve ser estimulado e generalizado enquanto mais estudos não provarem a sua total segurança. Aliás, pode mesmo colocar em risco a saúde de quem o pratica se não estiver bem balanceado com fases de vida, níveis de saúde e objectivos de cada qual.

Outro tipo de JI que tem vindo a ganhar adeptos é aquele onde durante cinco dias da semana se segue um plano alimentar dito normal, e em dois dias da semana, que não seguidos, se promove o jejum. Este tipo de privação é baseado em algumas regiões onde se promove o jejum semanal e parece ter também muitos adeptos quanto aos efeitos nos níveis de glicose sanguínea, colesterol e níveis de saúde. Novamente, há que avaliar caso a caso se poderá ser uma opção para si.

Espero ter despertado o seu interesse em saber mais sobre este tema. Na próxima visita ao seu nutricionista veja a sua opinião sobre esta tão polémica temática. Saiba tudo em nutricionista.com.

Pedro Queiroz é o fundador das Clínicas de Nutrição do Porto e Lisboa e consultor de Nutrição. Mais do que ajudar pessoas a emagrecer, o que realmente gosta é de mudar as suas vidas.

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