Cheguei àquela fase da vida em que tenho uma filha pré-adolescente – apenas em idade, porque os sinais identificadores estão lá todos: a impertinência das respostas, o revirar de olhos como manifestação de saturação, o turbilhão hormonal que lhe invade o corpo, e a transformação física que se revela
Apesar de aos 40 anos ainda nos sentirmos umas miúdas, há partes da nossa anatomia que nos mostram que o nosso corpo já passou por uma longa maratona e que já não funciona da mesma maneira. Apercebemo-nos disso, mas a verdade é que nos custa aceitar que as hormonas nos fintam. Aceitar a passagem do
Maio é o mês de sensibilização para a ictiose, doença de pele rara que quase toda a gente desconhece. E eu, que sou portadora da mesma, não poderia terminar o mês sem falar daquilo que me toca profundamente, ou melhor, que me cobre o corpo, mas que não se traduz naquilo que sou.
Confinados, desmotivados e com um verão amputado em termos de acessos a praias, será que ainda vale a pena preocupar-me com um corpo de verão? Ou deixo isso para 2021?
Sou só eu que tenho a sensação de que envelheci 10 anos nos últimos 40 dias? Que fico acordada até horas impróprias ou que o meu couro cabeludo estalou todo devido ao stress?
Expor uma fragilidade, um defeito físico ou uma imperfeição - com o qual se leva anos a lutar para trabalhar a autoestima, o amor próprio e a aceitação - é um ato de coragem ou um longo processo de catarse que nos impele a dar um murro na mesa e a mostrar ao mundo que as coisas não são perfeitas? A
Como se fala de algo com o qual sempre se viveu e que faz parte de nós? O que para mim é familiar, para os outros é desconhecido, estranho e, em última instância, feio. Chamemos as coisas pelos nomes: uma doença de pele é algo feio. Inestético. Magoa o olhar e dói de verdade para quem a tem. Diariam