Fazendo uma retrospectiva dos já abordados pilares do Yoga segundo Patanjali – Yamas e Niyamas – vimos que cada um destes pilares incorpora cinco sub-pilares que esmiuçam essas orientações morais e observâncias éticas e espirituais.

Este mês avançamos para aqueles que, talvez, hoje em dia sejam os mais conhecidos: Asanas (posturas) e Pranayamas (técnicas de respiração), metaforizados por B.K. Iyengar como os ramos e folhas da árvore, respetivamente – sendo os ramos o movimento, fortes e flexíveis, que se movem com o fluxo da vida; e as folhas, que absorvem o prana, a força vital da vida! Iremos falar também do quinto pilar, Pratyahara, considerado a casca que protege a árvore dos elementos externos.

Asana, terceiro pilar do Yoga conforme apresentado nos Yoga Sutras de Patanjali, são as posturas. As posturas do Yoga, como as conhecemos e as praticamos hoje em dia, resultam de uma evolução do Yoga, e as suas origens apontam para a ideia de contemplação ou meditação, em posição sentada, por longos períodos – aliás, a própria palavra Asana significa “sentar”. Esta tradução literal pode ser interpretada como estar simplesmente presente, no aqui e no agora, incorporando as práticas de meditação encontradas nos textos antigos dos Vedas e Upanishads. Sthira significa “estar / ser estável ou firme”, enquanto sukham é “ser suave, relaxado, fluido”. Juntos e colocados em contexto de uma prática dinâmica, verificamos uma qualidade na qual se cultiva firmeza, fluidez e presença, em cada respiração, em cada e entre asanas.

#AlmaYogi: os 8 pilares do Yoga (parte 1) – Yama
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É isto que pretendemos alcançar na prática de Asanas: firmeza nas posturas, ao mesmo tempo que leveza para fluir com a respiração. É este o verdadeiro significado de asana, quando expresso e incorporado numa prática integrada. Na perspetiva yogi, o corpo é o templo do espírito e, por isso, é importante cultivá-lo para alcançar o crescimento espiritual. Através da prática de asanas, desenvolvemos a disciplina e a capacidade de concentração, ambas necessárias à meditação.

Pranayama, quarto pilar do Yoga, é um conjunto de técnicas destinadas a alcançar o controlo da respiração, reconhecendo a ligação respiração-corpo-mente-emoções. Patanjali diz-nos que pranayama é “a entrada e saída controlada da respiração, numa postura firme”. Quando observamos o fluxo natural da respiração nas suas fases de inspiração... pausa... expiração... pausa... a respiração torna-se fluida, suave, e os seus efeitos mais subtis. Através da observação consciente, refinamos a respiração e gradualmente podem ir sendo incluídas técnicas de respiração “mais avançadas”.

Em cada etapa desta evolução, vamos cultivando um sentido de estabilidade e fluidez. Como implícito na tradução literal da palavra (prana significa “força vital” e ayama “expansão” – logo, extensão da força vital), no Yoga acredita-se que a prática de Pranayamas rejuvenesce o corpo, a mente e as emoções, preparando-nos para uma meditação profunda. Patanjali lembra-nos que os 8 pilares devem ser percorridos em sequência, ou seja, se tentarmos praticar pranayama sem qualquer preparação prévia do corpo e da mente (pilares anteriores), vamos sentir mais tensão e isso será prejudicial. Dominar as Asanas confere-nos a saúde física e mental necessária à prática de Pranayama em segurança.

#AlmaYogi: os 8 pilares do Yoga (parte 2) – Niyamas
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Antes de passarmos ao quinto pilar, deixar apenas a nota de que estes primeiros quatro estágios do Ashtanga Yoga de Patanjali visam refinar as nossas personalidades, ganhando domínio do corpo e desenvolvendo uma maior consciência energética de nós mesmos. Preparam-nos para a segunda parte do caminho, que trata dos sentidos, da mente e de alcançar um estado mais elevado de consciência.

Por fim (por hoje!), chegamos a Pratyahara – o quinto pilar do Yoga segundo Patanjali, cuja prática se foca em nos voltarmos para dentro, ignorando as distrações externas. Aqui, Patanjali toca na tendência da mente se focar em tudo o que estimula os sentidos e o pensamento. Assim como sentimos, pensamos; e assim como pensamos, tendemos a agir. Então, ao internalizar a consciência, pratyahara permite-nos deixar as circunstâncias externas em suspensão.

Através deste pilar, o que poderia ser um som, um cheiro, uma sensação irritante, agora estão simplesmente lá, e a nossa consciência voltada para dentroPratya significa “retirar”, “retrair”, “recuar”, e ahara refere-se a tudo o que “absorvemos” por nós mesmos, sejam as visões, cheiros ou sons que os nossos sentidos captam continuamente.

Ao contrário do que pode ser levado a pensar, pratyahara não significa deixar de ouvir, ou ver ou sentir; simplesmente, a prática de pratyahara muda o nosso estado de espírito, de tal forma que estamos tão imersos no que estamos a focar, e tudo o que é externo (incluindo os nossos próprios pensamentos) deixa de nos incomodar, permitindo-nos meditar sem nos distrairmos facilmente.

Sara Sá estudou Comunicação Social, mas especializou-se em Relações Públicas e trabalhou 15 anos como tal. A paixão pelo Yoga levou a melhor e, deixando o emprego e vendendo tudo o que tinha, abriu no Porto o MANNA, um espaço onde partilha, com quem por lá passa, a sua filosofia de vida.

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