Mas será que treinar em jejum ajuda a emagrecer? Não posso dizer redondamente que é um MITO, apesar de não haver consenso neste tema, mas posso dizer, que na minha opinião não uma boa opção. Acordar cedo, calçar os ténis e sair para correr pode parecer uma rotina saudável, mas existe um pormenor que falta nesta sequência: alimentar-se e com qualidade!

Deixem-me explicar-vos de forma simples o processo fisiológico que se encontra por detrás dos treinos em jejum. O corpo é uma máquina complexa, que nos permite realizar desde correr uma maratona, ou simplesmente movimentos do nosso quotidiano. Mas nada disto seria possível sem um combustível potente, responsável por providenciar a energia necessária para o nosso sistema muscular, o glicogénio muscular. Durante a noite, e apesar de o corpo estar em repouso, também existe consumo das reservas de glicogénio muscular, não esquecendo que o fato de estarmos várias horas sem comer contribui igualmente para a diminuição desse stock.

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Alguns autores defendem que a diminuição do glicogénio muscular, limita a oxidação dos ácidos gordos, justificando a alteração da composição corporal através da diminuição da massa magra, isto porque o organismo começa por promover a degradação de proteínas (Proteólise) para obter energia, e só à posteriori a degradação de gorduras (Lipólise). No entanto, outros autores dizem que realizar exercício físico logo pela manhã em jejum, faz com que o organismo utilize a gordura como fonte primária, devido ao facto de o glicogénio muscular se encontrar esgotado.

Mais uma vez, a ciência não gera consenso neste tema, além de que muitos estudos são feitos com jejuns de 24 e 48 horas, algo que não acontece no nosso dia a dia. Na minha opinião realizar exercício físico em jejum pode não ser a melhor opção por várias razões, tais como:

  • Exercício físico em jejum promove a diminuição de massa muscular como já vimos anteriormente;
  • Os níveis de cortisol pela manhã já se encontram elevados, se não se alimentar de manhã e for treinar fará com que aumentem ainda mais, promovendo ainda mais a redução de massa muscular:
  • Poderá promover hipoglicémia, representando um risco;
  • O cérebro precisa de glicose, e na ausência desta fonte energética, o mesmo irá produzir corpos cetónicos e aumentar a acidez do sangue;
  • O risco de fadiga e de micro lesões aumenta.

Este é um processo / estratégia limitada e com os seus riscos, mas também de alguma forma dependente do nível de actividade física de quem o faz, da duração e da intensidade de treino. No entanto recomendo que se vai realizar exercício físico em jejum, este se restrinja a uma actividade aeróbia e baixa intensidade, e não ultrapasse os 45 minutos.

Ricardo Gomes, 31 anos, é Personal Trainer, Formador na Área de Exercício e Saúde e CEO da CHASE Training Academy.

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