Tenho recebido muitas mensagens de mulheres que leram o meu texto sobre o início do método LEV e me têm seguido no Instagram, onde vou dando conta do progresso, frustrações e vitórias do último mês e meio. Todas me contactam motivadas com a ideia de perder peso, todas me questionam se compensa, se é difícil, quais as dores sentidas e, acima de tudo, se o investimento feito vale a pena para o objetivo que se pretende: perder peso e perder peso rapidamente.

A todas sou o mais honesta possível: eu ganhei a oportunidade de fazer o método LEV num giveaway no Instagram, logo, não tenho investimento meu feito em termos financeiros, tenho apenas o compromisso de não falhar e o investimento de tempo, força de vontade e energia em comprometer-me com algo que, para mim, é novidade: fazer dieta.

#ÀFlorDaPele: seguimos na luta!
Mafalda Santos

Sempre fui alta e magra, sempre comi o que me apeteceu sem grandes preocupações. Tive uma adolescência em que era tão magra que o meu pai me apelidou de “Olívia” – fruto da Olívia Palito, namorada do Popeye – e assim fui chamada durante longos e largos anos/décadas.

Hoje, aos 42 anos, depois de duas gravidezes em que recuperei sempre o peso ganho, foi preciso virem dois confinamentos para me dar cabo do currículo e me fazer escalar – ou deverei dizer derrapar – na balança. E, apesar de a roupa nunca ter deixado de me servir, a verdade é que eu já não estava a gostar de como a mesma ficava, de como apertava e de como eu já não me sentia tão eu.

Ter ganho esta oportunidade foi o pontapé que faltava para fazer o esforço de fechar a boca, de deixar de encontrar na comida um consolo emocional – fruto de estar fechada em casa e de toda a ansiedade que a situação pandémica provocou e deixou em toda a gente – e de me comprometer a sério, sem desculpas, perante o compromisso de emagrecer.

E assim fiz, ou melhor, tenho feito desde o passado dia 24 de maio, data em que comecei o método LEV: comprometida em perder 10 quilos. Em mês e meio perdi seis. Se tem sido fácil? Não, não tem.

#ÀFlorDaPele: seguimos na luta!
créditos: Huha Inc/Unsplash

Sejamos francos: para quem gosta de comer, estar de dieta é um verdadeiro suplício. É verdade que eu não passo fome, que há imensos snacks gulosos e apetecíveis no menu – panquecas, croissants, crepes e sobremesas várias, inclusive pão – mas eu sofri bastante com a comida do almoço e do jantar – em que não gosto de quase nada e passei, acima de tudo, a alimentar-me de saladas, omeletes e sopas. Dentro do cardápio de produtos LEV, há alguns de que gosto e outros que simplesmente abomino, e sinto uma falta louca de comer fruta – que está expressamente proibida nas fases 1 e 2, esta última onde atualmente me encontro.

Nos primeiros dias de dieta sofri com dores de cabeça insuportáveis – um dos sintomas secundários possíveis – em que não conseguia quase abrir os olhos ou ver televisão, e tive muitas situações de teste, que passaram por jantares em casa de amigos e férias, em que fui com a comida atrás, tendo feito as minhas próprias refeições e não comendo absolutamente nada do que estava na mesa para os convidados. Superei tudo sem prevaricar e fiquei orgulhosa de mim mesma.

Também tive de cortar com o copinho de vinho que tanto gosto – e do qual abusei durante os confinamentos – para água e muito drenante. No fundo, sinto que tive de cortar com todos os pequenos prazeres que faziam parte da minha vida e contentar-me apenas com o prazer de ver o ponteiro da balança a descer e a roupa a ficar folgada.

E isso exigiu muito compromisso da minha parte. Compromisso esse que eu julgava que não tinha e que ia derrapar e desistir na primeira oportunidade. Mas não, continuei e a força de vontade persistiu. Acabaram-se as sidras, o copo de vinho, os petiscos, o pão, os gelados... em compensação, ficaram os crepes e panquecas com nutlev, barritas de chocolate, arroz doce ou mousse de lima, tudo produtos LEV que tentam enganar a mente e o palato e dar-nos o pequeno consolo de quem está proibido de comer tais alimentos. Não é de todo a mesma coisa, não se deixem enganar, mas pronto, lá nos resignamos, que isto quando a vontade por um docinho aperta, tudo nos salva.

#ÀFlorDaPele: a ternura dos 40
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Não sinto falta dos hidratos de carbono, mas sinto falta de comer legumes e vegetais sem restrições. Sinto falta de comer carne e peixe variados, mesmo que seja só grelhado e sem qualquer tipo de molhos. Posso comer lulas ou bacalhau, mas não posso comer sardinha, dourada ou salmão, por exemplo. Sinto uma falta insana de comer fruta, que é algo que eu adoro e que agora no verão é só a melhor coisa do mundo. Fruta como melancia, cereja, pêssego, alperce, meloa, melão… é tudo aquilo que eu amo e que atualmente só lhe sinto o cheiro.

Por tudo isso, estou muito saturada de estar de dieta e a fazer o método LEV, confesso. É certo que tenho resultados, mas anseio por fazer uma alimentação mais normal e não tão excessivamente restritiva. Troco na hora os doces, os crepes de chocolate e as inúmeras sobremesas LEV – inclusive gomas, que também fazem parte da seleção de produtos disponíveis – por peças de fruta.

Hoje é dia de consulta e pesagem e eu, nesta última semana, cometi dois pecados que não estavam contemplados no meu plano alimentar: comi um pêssego e melancia. Prevariquei.

Na altura soube-me pela vida, mas agora que escrevo este texto, estou aqui a contorcer-me, cheia de remorsos, e a achar que amanhã, quando subir para a balança, o meu peso vai-me denunciar.

Na meta do comprometimento, faltam quatro quilos para os 10. Não vou deitar tudo a perder, mas se vejo novamente cerejas do Fundão, gordas e tenras, não sei se resisto…

Mafalda Santos  fez das palavras profissão, tendo passado pelo jornalismo, assessoria de imprensa, marketing e media relations. Acredita em quebrar tabus e na educação para a diferença, temas que aborda duas vezes por mês, na Miranda, em #ÀFlorDaPele.

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